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Inteligência artificial ajuda a cuidar melhor de doentes com cancro

Projeto “Digital Person” envolve equipa multidisciplinar liderada pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra

O objetivo é melhorar o acompanhamento das pessoas com cancro que se deslocam ao hospital para efetuar tratamentos, regressando depois ao domicílio, onde, já fora da vigilância dos profissionais de saúde, sentem os efeitos adversos da terapêutica. Falamos do projeto “Digital Person”, que recorre à inteligência artificial (IA) para criar proximidade, garantindo a monitorização permanente do doente e fornecendo os sinais necessários para uma avaliação clínica personalizada, que permite fazer os ajustamentos necessários e melhorar o seu estado de saúde.
Um projeto desenvolvido por uma equipa multidisciplinar liderada pela Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC), no quadro de um consórcio que envolve o Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra e o Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil, refere nota a ESEUC, ontem divulgada.
O software baseado em IA «permitirá acompanhar, à distância, como cada pessoa se sente» quando está em casa ou no local de trabalho e «identificar precocemente sinais que merecem atenção, ajudando a equipa de saúde a ajustar o cuidado de forma mais personalizada», explica a professora Filipa Ventura, que lidera o consórcio, citada no comunicado.
O sistema de apoio à decisão clínica à distância pretende valorizar «não apenas os dados clínicos, como exames e medições, mas também o modo como a pessoa experiencia o tratamento e descreve o seu próprio bem-estar: a forma como se sente cansada, com dores, alterações de sono ou de apetite, aspetos que ajudam os profissionais de saúde a compreender melhor a sua situação e a adaptar os cuidados», esclarece Filipa Ventura, doutorada em Ciências da Saúde pela Sahlgrenska Academy da Universidade de Gotemburgo e especializada em Enfermagem Oncológica pela University West, de Trollhättan, também na Suécia. De acordo com a docente da ESEUC, «atualmente os sistemas de monitorização existentes baseiam-se essencialmente em dados objetivos», como temperatura, número de episódios de vómito ou diarreia, sendo que «o mal-estar pode começar muito antes de esses valores atingirem níveis críticos». Nesse sentido, a «IA vem permitir identificar padrões, em conjuntos de informação muito variados, ajudando a detetar alterações precoces no bem-estar da pessoa, que seriam difíceis de reconhecer apenas pela observação humana», adianta Filipa Ventura.
Paralelamente, o sistema de apoio à decisão clínica em telessaúde «integrará recomendações multidisciplinares, elaboradas em articulação entre diferentes profissionais de saúde», designadamente médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos de nutricionistas, para lidar com sintomas comuns – náuseas e vómitos causados pela terapêutica – permitindo avançar com «medidas de alívio, hidratação adequada e acompanhamento farmacêutico e nutricional». Permite, ainda, responder à “fadiga oncológica”, através de «estratégias combinadas de atividade física adaptada, alimentação equilibrada e apoio psicológico», adianta o comunicado.
O “Digital Person” assenta numa «abordagem ética e centrada na pessoa» e assegura que «representantes de pessoas em tratamento oncológico serão envolvidos como parceiros no desenho e na validação do sistema, garantindo que este reflete as suas necessidades, preferências e valores», diz ainda Filipa Ventura, que destaca a «tomada de decisão partilhada», onde a IA «funcionará como apoio ao profissional de saúde e à pessoa, não como substituto, respeitando sempre a autonomia individual». Por outro lado, ao permitir o acompanhamento remoto, «ajuda a reduzir desigualdades e a garantir que todos possam beneficiar de cuidados de qualidade, independentemente do local onde vivem», adianta.

Outubro 28, 2025 . 07:20

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