
“Projetos com elevado impacto territorial nos municípios de Cantanhede e Mira”
A inauguração, por parte da Águas do Centro Litoral (AdCL), da Empreitada de construção da ETAR de Cochadas, freguesia da Tocha, concelho de Cantanhede, e dos Intersetores/emissários Complementares de Transporte era uma ambição há muito aguardada pela comunidade e pelos territórios envolvidos.
Um investimento de 12,8 milhões de euros suportado em 47% pelo POSEUR e que serve uma população de 37 mil habitantes.
«São projetos com elevado impacto territorial, nomeadamente nos municípios de Cantanhede e Mira, os quais alteram as condições de transporte, elevação e tratamento do saneamento no sistema Sul da Ria de Aveiro. É a AdCL a concretizar obra no lado certo da história», destacou Alexandre Oliveira Tavares. Com esta infraestrutura, adianta o presidente da AdCL, «a capacidade de transporte, elevação e tratamento de águas residuais são incrementadas, o que permite limitar os constrangimentos nos volumes em transporte e elevação, nomeadamente em reflexo de afluências indevidas de origem pluvial e predial».
«Esta ETAR de tratamento terciário vai servir as áreas do município de Cantanhede, que atualmente são abrangidas pelo subsistema Ria Sul-Aveiro e a ampliação da cobertura “em baixa” desse município, nomeadamente as localidades de Ourentã, Cantanhede, Pocariça, Febres, Cadima, Sanguinheira, São Caetano e Tocha.
Trata-se de uma infraestrutura dimensionada para tratar cerca de 15.000 m3/dia de águas residuais provenientes de 21.900 habitantes-equivalentes de população doméstica e de 15.100 habitantes-equivalentes de efluente industrial», sublinhou o responsável.
«Foi uma obra difícil de concretizar, quer no projeto e solução de desenho e tratamento, nas autorizações pela Entidade Reguladora e pelo Concedente, nos processos de contratação das empreitadas (ambas as empreitadas necessitaram de vários processos de colocação em mercado) e de autorização suplementar de aumento de custos, mas também na realização, por força das condições de fundação, de alocação de meios e recursos humanos, por acesso a energia, entre outras», considerou Alexandre Oliveira Tavares.
Para a presidente da Câmara de Cantanhede, a construção da ETAR de Cochadas representa «um investimento estruturante ao nível do ordenamento do território e reflete uma visão integrada do desenvolvimento municipal e regional», nomeadamente quanto à «organização e qualificação do espaço urbano e rural com o devido suporte dos sistemas de proteção ambiental».
Helena Teodósio frisou ainda que, se dúvidas houvesse, «todo o processo inerente à construção desta ETAR reforçou a convicção de que uma rede de saneamento eficiente e um tratamento adequado de águas residuais são condições de base para o planeamento territorial», contribuindo, desta forma, para tornar o território «mais competitivo, mais sustentável e mais próximo dos padrões de qualidade ambiental».

Já o presidente da Câmara Municipal de Mira destacou a importância da obra, sublinhando, porém, que o trabalho de recuperação ambiental não termina com esta inauguração.
«Durante anos, Mira foi severamente fustigada por descargas poluentes vindas de concelhos vizinhos, com impacto visível nas nossas lagoas, ribeiras e na qualidade da água.
Agora que a nova ETAR está em funcionamento, é fundamental avançar com a limpeza e desobstrução das linhas de água em todo o território, para devolver ao concelho o equilíbrio ambiental que sempre o caracterizou», apelou Artur Fresco.
O autarca recordou ainda o papel determinante do antigo presidente da Câmara de Mira, Raul Almeida, nas diligências e alertas sucessivos junto das autoridades competentes, salientando que a concretização deste investimento «é também um tributo à persistência e ao trabalho desenvolvido ao longo dos anos por quem nunca desistiu de defender o ambiente e a qualidade de vida dos mirenses».
O secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, que presidiu à inauguração da ETAR, referiu que a construção da infraestrutura «foi um trabalho muito difícil e árduo mas importante para a região».
Silvério Regalado partilha da opinião que a solução chegou «tarde demais», atrasada, por exemplo, por «demasiados processos burocráticos», mas que veio assegurar uma «melhor qualidade ambiental, melhor qualidade de vida e melhor ordenamento do território».
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