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O nosso problema com a manutenção

Outubro 27, 2025 . 14:00
"À infelicidade da tragédia em si veio somar-se a data em que ocorreu, poucas semanas antes das eleições autárquicas, propiciando lamentáveis afirmações de responsáveis políticos que mais não pretendiam que obter vantagens políticas nuns casos e desresponsabilização noutros" | Texto de opinião de João Paulo Craveiro

A recente tragédia do acidente do histórico Elevador da Glória em Lisboa em 3 de Setembro último que provocou 15 mortos e 22 feridos e uma justificada comoção nacional tem sido objecto das mais variadas e desencontradas tomadas de posição.

À infelicidade da tragédia em si veio somar-se a data em que ocorreu, poucas semanas antes das eleições autárquicas, propiciando lamentáveis afirmações de responsáveis políticos que mais não pretendiam que obter vantagens políticas nuns casos e desresponsabilização noutros.

A recente publicação do Relatório Preliminar do GPIAAF (Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários) veio colocar luz sobre as áreas que permaneciam em relativa obscuridade.

Desde logo, o elevador da Glória foi instalado ainda no sec. XIX estando classificado como monumento nacional, datando a sua actual tipologia e configuração de 1914.

Desde essa data tem sido objecto de diversas intervenções e beneficiação, para além de manutenção regular.

O facto de ser monumento nacional colocou-o fora da aplicação da directiva europeia, transposta para a legislação nacional em 2002, ficando excluído da supervisão do INTF, pelo que a responsabilidade da exploração e funcionamento recaiu apenas na Carris. Na realidade, o Relatório Preliminar mostra quão errados estavam os pressupostos para aquela decisão.

O Relatório Preliminar aponta como causa concreta deste acidente a rotura do cabo de tração/equilíbrio entre as duas cabinas, cabo esse que não estava conforme com a especificação da CCFL para utilização no Elevador da Glória. Na realidade, “o certificado de inspeção fornecido pelo fabricante declara que o cabo não pode ser usado com um destorcedor, o que não é a situação no Ascensor da Glória”.

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