Sobre as coligações. Perigos e oportunidades
Sabemos hoje que a única coligação de esquerda (com exceção da CDU) a ganhar eleições autárquicas, foi a concorrente em Coimbra. Em teoria, as coligações são um reforço do bem eleitoral: servem para alargar o apelo ao voto e fazer o somatório esperado. Fazem sentido também quando partidos, com uma base eleitoral forte, se juntam a pequenos, mas bem financiados.
No entanto, a realidade é bem mais complexa. Existem muitos motivos para as coligações correrem mal: Um partido com uma identidade muito forte (ex.: ecologista, conservador, comunista) pode ver os seus princípios fundamentais diluídos na coligação; os eleitores fiéis sentem-se traídos e desmobilizam.
A coligação pode ser atingida por uma transferência de impopularidade. É o cenário clássico do "condenado por associação". Se um dos partidos, está no centro de um processo controverso e refluxo eleitoral e se torna impopular junto do eleitor comum, mesmo votos “certos” podem voltar-se contra a coligação. Da mesma forma, as direções partidárias podem negociar coligações, mas se as bases militantes não as aceitarem, gera-se uma crise interna que tem consequências na campanha e na votação.
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