
Dinamização cultural é um dos objetivos mas “conhecer a Galiza” é fundamental
É, por assim dizer, um regresso da Galiza a Coimbra. Depois do grande sucesso da Mostra de Teatro Galego em 2023, este é um novo marco da dinamização cultural e partilha de experiências entre ambos. Desta vez, a Cena Lusófona e A Escola da Noite trazem uma programação cultural focada em vários campos artísticos, desde o teatro à pintura.
Em conversa com Pedro Rodrigues, em representação da Cena Lusófona, percebemos que a Galiza e Coimbra «não estão assim tão longe», mas que ainda não se conhecem. «Queremos que as pessoas se possam conhecer, tanto o público como os artistas. Há aqui potencial para uma grande ligação, para traçar caminhos juntos» indica, prosseguindo, «a barreira é a língua, mas mesmo essa é ultrapassada. Temos uma história que nos liga a vários níveis e queremos aqui mostrar um pouco do que nos une, e não do que nos diferencia».
“Portugal é um centro importante para dinamizar a cultura galega porque a nossa língua não é muito distinta”
Apesar da mostra ter bastante teatro na sua programação, há também espaço para exposições, por exemplo, como a que se estreou durante a tarde de ontem. «Esta é uma das várias ofertas que temos onde revelamos uma personagem identitária da cultura galega». “Isaac Díaz Pardo, Deseño, memoria e compromisso” revela várias partes da vida de Isaac Díaz Pardo, uma figura incontornável da força artística da Galiza. Esta figura tem uma carga política forte, associada à resistência contra Franco. «Coimbra e a Galiza têm uma identidade política muito forte, mas desta vez não houve uma aposta específica nesse aspeto, ao contrário do que ocorreu em 2023», explica Pedro Rodrigues.
«Estamos aqui a fazer um exercício que ainda é necessário fazer que é exercitar e mostrar o galego, espetáculos em língua galega. É necessário para que se reivindique o seu lugar e, ainda, a sua ligação a Coimbra» admita o especialista. Esta “reivindicação” não deve ser a única. «É preciso fazer reivindicações junto das entidades políticas e parceiras, locais, nacionais, internacionais até, para que se continue a garantir uma oferta cultural de qualidade. Isso aplica-se a nós, a esta mostra especial e diferenciada, mas também a todas as outras opções culturais que se veem ameaçadas de alguma forma. A cultura é uma ferramenta formadora, um dos objetivos da cultura é exatamente isso».
“Esta Mostra pretende ligar os artistas portugueses aos galegos, mas também o seu público ao nosso”
Em (pequena) análise ao panorama cultural de Coimbra na presente semana, e até ao final do mês, afirma que é interessante o dinamizar da “portugalidade” em diferentes polos. «É revelador a ligação entre Portugal e outros polos internacionais porque mostra uma ligação histórica e tradicional, mas também se vê uma trajetória de correspondência e interesse entre os vários países envolvidos. No nosso caso, apenas Portugal e Galiza, mas [no caso do MATE] também países africanos e da América do Sul» sublinha.











