
“Infraestrutura fundamental para equilíbrio ambiental da região”
A Águas do Centro Litoral (AdCL) procedeu ontem à inauguração da empreitada de construção da ETAR das Cochadas, localizada na Tocha, e dos Intersetores/emissários Complementares de Transporte (1,2km), uma «infraestrutura fundamental para o equilíbrio ambiental da região», frisou Helena Teodósio, e que simboliza o «empenho e a persistência de todos os que acreditaram que era possível resolver, de forma estrutural, um problema que há muitos anos preocupava» as comunidades dos concelhos de Cantanhede e Mira.
Para a presidente da Câmara de Cantanhede, a construção da ETAR das Cochadas representa «um investimento estruturante ao nível do ordenamento do território e reflete uma visão integrada do desenvolvimento municipal e regional», nomeadamente quanto à «organização e qualificação do espaço urbano e rural com o devido suporte dos sistemas de proteção ambiental».
Artur Fresco, embora mostrando satisfação pela conclusão da obra, deixou o alerta para a necessidade de «existir a participação e apoio por parte da APA – Agência Portuguesa do Ambiente para a remoção e limpeza dos recursos hídricos de Mira que, durante anos, foram fustigados por descargas indesejáveis a nível ambiental. «O município de Mira sozinho não tem condições para o fazer», sublinhou o presidente da Câmara.
ETAR de tratamento terciário é uma infraestrutura “dimensionada para tratar cerca de 15.000 m3/dia de águas residuais
A empreitada, responsabilidade da AdCL, de aproximadamente nove milhões de euros, vai permitir tratar efluentes domésticos e industriais de Cantanhede, complementando outra obra de aumento de capacidade das infraestruturas, envolvendo também o município de Mira, representando um investimento total de 12,8 milhões de euros, cofinanciado pelo POSEUR, em 47%.
A construção da ETAR de Cochadas-Cantanhede vai, assim, reforçar o Sistema de Saneamento da Ria Sul-Aveiro e ser parte da solução do saneamento nos municípios em causa e servindo as áreas do município de Cantanhede que atualmente são abrangidas pelo subsistema e a zona de ampliação da cobertura “em baixa”, nomeadamente as localidades de Ourentã, Cantanhede, Pocariça, Febres, Cadima, Sanguinheira, São Caetano e Tocha.
«Trata-se de projetos com elevado impacto territorial, nomeadamente nos municípios de Cantanhede e Mira, os quais alteram as condições de transporte, elevação e tratamento do saneamento no sistema Sul da Ria de Aveiro. É a AdCL a concretizar obra no lado certo da história», destacou Alexandre Oliveira Tavares.
Trata-se de projetos com elevado impacto territorial, nomeadamente nos municípios de Cantanhede e Mira
Esta ETAR de tratamento terciário, é uma infraestrutura «dimensionada para tratar cerca de 15.000 m3/dia de águas residuais provenientes de 21.900 habitantes-equivalentes de população doméstica e de 15.100 habitantes-equivalentes de efluente industrial», disse o presidente do conselho de administração da AdCL, e «recorre a um processo biológico de lamas ativadas em regime de arejamento prolongado, com remoção de nutrientes e desinfeção final, com recurso a ultravioletas».
«Foi uma obra difícil de concretizar, quer no projeto e solução de desenho e tratamento, nas autorizações pela Entidade Reguladora e pelo concedente, nos processos de contratação das empreitadas (ambos as empreitadas necessitaram de vários processos de colocação em mercado) e de autorização suplementar de aumento de custos, mas também na realização, por força das condições de fundação, de alocação de meios e recursos humanos, por acesso a energia, entre outras», finalizou o responsável.










