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Escolas sem telemóveis estão “saudavelmente mais ruidosas”

O Agrupamento de Escolas da Zona Urbana da Figueira da Foz considera que a proibição foi uma "mais-valia". Vídeo nas redes sociais mostra crianças a fazer música com baldes, paus, pedras e as próprias mãos.

O Agrupamento de Escolas da Zona Urbana da Figueira da Foz (AEZUFF) publicou, há poucos dias, nas suas redes sociais, um vídeo onde mostra alguns alunos do 6.º ano num momento caricato na Escola Dr. João de Barros.

«Quando se proíbem os telemóveis, nascem talentos!» lê-se na publicação do Facebook, cujo vídeo foi captado pela professora de Educação Musical e que dá conta que a turma em questão «decidiu transformar paus, pedras, garrafas de plástico e até um caixote do lixo numa verdadeira orquestra rítmica».

«Os alunos foram fazendo várias experiências de sons e o que se verificou é que não é preciso terem telemóveis para se divertirem», afirmou Bela Matos, em declarações ao Diário de Coimbra.

De acordo com a diretora do AEZUFF, as escolas estão «saudavelmente mais ruidosas» desde a entrada em vigor, em setembro, de novas regras quanto ao uso de smartphones nos estabelecimentos de ensino.

Recorde-se que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação estipulou, a partir do ano letivo 2025/2026, a proibição total do uso de smartphones pelos 1.º e 2.º ciclos (que vai desde o 1.º ao 6.º ano) em todo o espaço escolar durante o horário de funcionamento.

Já no 3.º ciclo (que engloba do 7.º ao 9.º ano) o uso de smartphones é restringido e desincentivado, mas não totalmente proibido, enquanto no ensino secundário (do 10.º ao 12.º ano) pede-se que as escolas envolvam os alunos na definição das suas próprias regras de utilização para incentivar a um uso responsável.

 

«Pessoalmente tinha alguma relutância, pois considero que as proibições têm sempre um certo peso. Mas tenho que dar a mão à palmatória, porque se percebe que o ambiente escolar se alterou e esta proibição foi mesmo uma mais-valia», assevera Bela Matos.

E justifica: «Ouvem-se mais brincadeiras e mais conversas. Os próprios alunos estão mais descontraídos. Há mais barulho e mais desassossego, mas não em termos de indisciplina».

Aliás, a diretora do agrupamento revela mesmo que o registo de queixas, relacionado com desentendimentos e que é feito por escrito pelos alunos, «desacelerou» em relação a anos anteriores.

Além disso, a responsável indica que também se verificaram menos apreensões de telemóveis por utilização indevida em relação ao que era habitual.

«Este mês foram entregues quatro telemóveis na direção e posso dizer que três foram retirados em contexto de aulas e um no recreio», refere.
A direção do AEZUFF mostra-se, assim, satisfeita com os efeitos desde o início do ano letivo e diz continuar a trabalhar no sentido de promover a socialização e o bem-estar da comunidade escolar.

Outubro 21, 2025 . 08:10

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