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Profissionais de hotéis e restauração pediam a abolição da gorjeta

17/9/1937 | Representantes dos trabalhadores propuseram ao Governo substituição da gorjeta por taxa de serviço, para dignificação da classe

Ainda hoje motivo de alguma controvérsia, a gorjeta era em 1937 encarada como uma forma menos digna de remunerar serviços prestados na área da hotelaria e restauração, sendo até, por vezes, a única retribuição assegurada aos profissionais pelo seu trabalho.

O Diário de Coimbra de 17 de setembro de 1937 deu conhecimento de uma reunião do sub-secretário de Estado das Corporações e Previdência Social com representantes do Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria Hoteleira e Similares, para tratar da abolição de uma prática que «não convinha à classe».

«O pessoal dos cafés, pensões, hotéis, restaurantes, etc., desde há muito que tem consigo a aspiração da abolição da forma vexatória da remuneração dos seus serviços pela gorjeta que, embora voluntária, se tornou quase obrigatória para o público que a ela se acostuma. Andam bem os profissionais daquela indústria em batalhar neste sentido, dignificando a sua classe e tirando ao público o acanhamento que traz, por vezes, a gorjeta. Isto quando ela se dá, porque há muitas casas em que o empregado serve gratuitamente pois, estando quase sempre ao serviço dos estabelecimentos deste ramo unicamente pela gorjeta e não lhes sendo esta dada, nada auferem pelo serviço que prestam», lia-se neste jornal.

Apesar de comum, em Portugal a gorjeta não é obrigatória, cabendo ao cliente a decisão de dar ou não, e o valor

Na reunião com o Governo, prevista para esse dia em Lisboa, seria proposta a substituição da gorjeta por «percentagens a cobrar sobre o preço dos géneros fornecidos ao público, que vão de 10% a 20%, conforme as mercadorias». «Em nada o público se sentirá afetado nos seus interesses, porquanto estas percentagens não vão além das importâncias que habitualmente constituem as gorjetas, e os empregados melhorariam a sua situação», referia a notícia, adiantando que a delegação de Coimbra do sindicato estaria representada pelo presidente, José Augusto Ferreira, que se juntaria na reunião aos homólogos de Lisboa, Porto, Braga, Viana do Castelo e Funchal.

O Diário de Coimbra voltaria a publicar dias depois, na edição de 1 de outubro, um artigo em defesa do fim da gorjeta. «Não faz sentido que os profissionais da indústria hoteleira e similares continuem reduzidos a uma posição quase degradante na sociedade. Compete ao Estado Corporativo acabar, de uma vez, com essa situação inteiramente vexatória para o trabalho honrado e livre do homem que na vida social ocupa um dos mais importantes papéis, daqueles que estão intimamente ligados com a indústria do turismo e de quem pode depender o afastamento ou a fixação do turista», considerou o autor do texto, ao elogiar a reivindicação entregue ao Governo pelo setor e propondo a troca da gorjeta por uma taxa de serviço, tal como já se resolvera fazer «na Alemanha, na Itália, na Espanha e em tantos outros países».

Outubro 19, 2025 . 10:20

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