
Universidades de Coimbra e Macau fazem acordo para conferências conjuntas e intercâmbio de alunos
Universidade de Coimbra e Universidade de Macau formalizaram um acordo de cooperação de quatro anos destinado a promover, ao longo dos próximos quatro anos, a investigação e o ensino em matérias que incluem a reconfiguração do Direito Internacional no contexto da transformação ecológica e o princípio constitucional da política «um país, dois sistemas».
O acordo será concretizado, não só através da realização de seminários, mas também da concessão de bolsas de estudo e da atribuição de prémios académicos, com o objetivo de apoiar o intercâmbio de estudantes de mestrado e doutoramento de ambas as instituições.
A parceria foi firmada em Macau onde, segunda-feira e ontem, decorreu, precisamente, uma conferência organizada pelas duas universidades sobre Direito Público, que contou com a participação, entre outros, de especialistas em Direito da Universidade de Coimbra, assim como do vice-reitor para as Relações Externas da UC, João Nuno Calvão da Silva.
«Historicamente, as nossas relações foram estreitadas através do Direito, tendo em conta a importância do Direito neste território e fico muito contente que vá ser possível que, nos próximos quatro anos, tenhamos esta troca de saberes e, mais do que isso, que muita juventude, seja estudantes da Universidade de Coimbra, seja da Universidade de Macau, tenha a possibilidade de ter, em cada uma das instituições, períodos de estudo de mestrado ou de doutoramento», afirmou o vice-reitor da UC, em entrevista à TDM - Teledifusão de Macau.
Para João Nuno Calvão da Silva este acordo terá um alcance para lá dos próximos quatro anos.
«Vai dar vida para as próximas gerações sentirem o que é este espírito único de Macau e esta relação profícua e histórica entre estas duas instituições», continuou o vice-reitor.
Sublinhe-se que a conferência, que decorreu ainda durante o dia de ontem em Macau, com sessões sobre Direito Internacional, Constitucional e Administrativo, contou com a presença de vários especialistas da Universidade de Macau, Universidade de Coimbra e do mundo lusófono.
Matriz do Direito “esculpido” em Coimbra
À margem da conferência, João Nuno Calvão da Silva elogiou a forma como a China tem dado estabilidade e tem compreendido a importância do cumprimento do Direito de matriz portuguesa em território macaense, o que tem «permitido salvaguardar direitos e liberdades», esperando que «essa herança jurídica possa permanecer no território após 2049».
«Estamos a ter um cumprimento do ordenamento jurídico, sabemos que até 2049 assim será, é assim que tem sido desde 1999. Depois de 2049, cessado o tratado internacional, há um período de transição», diz João Nuno Calvão da Silva.
«É este grau de compreensão que me apraz registar», afirmou o vice-reitor da Universidade de Coimbra, não escondendo o orgulho por muita da matriz do Direito aplicado em Macau ter sido «esculpido por grandes juristas portugueses, sobretudo da Universidade de Coimbra», o que justifica o estreitamento de laços entre as duas instituições, que vai ganhar ainda mais dinâmica nos próximos quatro anos, com a aplicação do acordo agora firmado.« Esperemos que o trabalho que tem sido feito, o capital humano que tem sido criado, que este ADN de Portugal e de Coimbra se vá mantendo. Essa é a minha expectativa», rematou.












