
“Saúde mental não pode continuar a ser o parente pobre em Portugal”
«A saúde mental não pode continuar a ser o parente pobre da saúde em Portugal». Esta foi uma das mensagens que o presidente do Conselho Diretivo Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros deixou na sessão que ontem decorreu em Vila Nova de Poiares e serviu para comemorar o Dia Mundial da Saúde Mental, promovida pela Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra.
Valter Amorim reiterou a necessidade de se «apostar nos cuidados de proximidade numa perspetiva multidisciplinar», uma vez que, na opinião do responsável, «não faz sentido continuar a apostar em algo que não dá ganhos à saúde».
A saúde mental afeta muitos portugueses, com a ansiedade e a depressão a serem os problemas mais comuns. Estatísticas indicam, porém, que cerca de 20% da população sofre de alguma doença mental, e estima-se que metade da população portuguesa irá experienciar ou experienciou algum tipo de transtorno ao longo da vida. Vários fatores, como preocupações financeiras, stress no trabalho e solidão, contribuem para este cenário.
O líder dos enfermeiros sublinha que, atualmente, dá-se «mais enfoque à doença do que às pessoas», por isso, é «preciso fazer diferente e fazer a diferença para as pessoas e para as suas vidas».
Um em cada três portugueses sofre de ansiedade, burnout, ataques de pânico ou depressão
Por exemplo, um em cada três portugueses sofre de ansiedade, burnout, ataques de pânico ou depressão e só 17% têm apoio profissional, indica um estudo divulgado na quinta-feira. E são os jovens adultos e as mulheres que mais relatam sintomas do foro mental. Desta maneira, na sessão que contou com a dinamização da tertúlia “O que fazer pela saúde mental agora e sempre?” e do painel “Acesso a serviços: saúde mental em catástrofes e emergências”, precisamente o tema deste ano do Dia Mundial da Saúde Mental, foram partilhados reflexões e estratégias para o futuro.
Tiago Santos, diretor do Departamento de Saúde Mental da ULS de Coimbra, embora não podendo estar presente deixou uma mensagem gravada aos participantes na iniciativa. «O que se pretende com esta organização em Poiares é demonstrar que é possível passar daquilo que é muitas vezes uma retórica associada a estas questões da multidisciplinaridade, da acessibilidade, enfim, de tudo isso, para a prática, para a implementação efetiva», revelou.
Já Nuno Madeira, psiquiatra do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, em representação do Conselho de Administração, destacou que os «resultados das pessoas com saúde mental são catastróficos», desafiando os presentes a «pensar numa doença com maior durabilidade que a saúde mental».
Já Maria da Luz Pedroso, vereadora da Câmara de Poiares, referiu o facto de estar em final de mandato, deixando claro, contudo, que «o próximo executivo irá dar continuidade ao investimento feito nesta área».











