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População (des)espera pelo fim das obras na ponte Edgar Cardoso

Novo condicionamento de trânsito começou esta semana e as filas voltaram a ser demasiado longas para quem atravessa a ponte, sobretudo, de manhã e no sentido norte-sul.

As obras na Ponte Edgar Cardoso, para substituição dos tirantes e reabilitação geral, estavam previstas para terminar no primeiro trimestre deste ano. Só que, para desespero de quem atravessa diariamente esta infraestrutura sobre o rio Mondego, a empreitada da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal (IP) ainda continua em execução.

São três anos de trânsito congestionado, que tem provocado transtornos pessoais e profissionais a todos aqueles que precisam fazer a travessia e que tem levado muitos a já designarem aquela como «a ponte da vergonha», visto a demora na conclusão das obras.

 

As intervenções tiveram início no final de 2022

A empreitada levou ainda a diversos períodos de interdição de circulação de viaturas durante a noite, sendo a única alternativa para os condutores a utilização da A17, entre o nó 7 (Marinha das Ondas) e o nó 8 (A14).

Os cortes ao tráfego noturno terminaram em maio passado, o que até deu direito ao lançamento de fogo-de-artifício, numa iniciativa por parte da autarquia figueirense.

Agora, numa altura em que a IP procede à substituição dos pavimentos na ponte, a circulação automóvel ficou novamente condicionada esta semana - prevendo-se que a intervenção se prolongue por cerca de três semanas - e as filas voltaram a ser demasiado longas, sobretudo, durante o início da manhã e no sentido norte/sul, com os condutores a registarem uma demora na ordem dos 45 minutos até conseguirem, efetivamente, atravessar a ponte.

Exemplo disso foi o que aconteceu ontem durante a manhã com o trânsito a ficar parado no tabuleiro e nos acessos. É que, além dos constrangimentos rodoviários em hora de ponta, com maior afluência de viaturas e a circulação a efetuar-se apenas em uma faixa de rodagem para cada lado, a situação foi agravada devido a um acidente com um motociclista.

O despiste aconteceu pouco depois das 7h00 e, apesar de não ser uma ocorrência grave, acabou por parar o trânsito e provocar ainda mais demora na circulação. Por volta das 9h00 ainda havia uma extensa fila na avenida Dr. Francisco de Sá Carneiro, em Tavarede, para aceder à EN109.

 

Críticas intensificam-se

A população já desespera.

«Desde 2022 que tem sido saturante», comenta Cláudia Ribeiro ao Diário de Coimbra.

Esta condutora, que reside na freguesia de Tavarede, tem que atravessar a Ponte Edgar Cardoso todos os dias, já que trabalha na Zona Industrial da Gala, na margem sul do concelho. «Entendo que tinham de fazer esta intervenção na ponte antes que alguém se magoasse ou morresse, mas deviam ter arranjado alternativas», critica Cláudia Ribeiro, tendo em conta que os condicionamentos no trânsito a obrigaram a alterar as rotinas familiares.

«De manhã tenho que deixar a minha filha uma hora mais cedo na escola e à tarde houve muitos dias em que cheguei a casa às 19h00. Ora, se os ATL’s funcionam até essa hora, provavelmente tinha de pagar a alguém para ir buscar a minha filha à escola. A minha sorte é que o meu marido pode ir buscar a menina mais cedo», explica Cláudia Ribeiro.

Também nas redes sociais as críticas à intervenção se têm intensificado, com várias pessoas a demonstrarem o seu descontentamento pelo transtorno causado na sequência da empreitada.

«Um verdadeiro inferno, sem alternativa, para quem trabalha a sul da Figueira da Foz», «tenham vergonha, encerram a ponte e as indicações de desvio são pouco ou nada claras e as obras nunca mais acabam» ou «acho que não demorou tanto tempo para ser feita de origem, já enerva a quem não tem nervos», são apenas alguns dos comentários que se podem ler no Facebook.

Outubro 9, 2025 . 08:20

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