
Reconstruir a floresta “de forma diferente e melhor”
A Associação Empresarial da Serra da Lousã (AESL) assinala 11 anos de atividade ao serviço dos empresários, das empresas e da economia regional. «E começámos do zero», salienta Carlos Alves, presidente da direção, ao destacar o impacto e a dinâmica da AESL, mesmo a nível nacional.
E um dos maiores exemplos reside mesmo no papel da associação na alteração de uma lei tributária na comercialização de madeira sem casca, que estava sujeita a uma taxa de IVA de 23%, enquanto a madeira com casca se fixava nos 6%.
«A Autoridade Tributária, com a sua interpretação, tem a garantia de que de todas as inspeções a este setor vão resultar correções de IVA de 6% para 23%, com aplicação de multas e mais coimas, que está a levar ao desespero de muitos empresários do setor florestal», alertava a AESL em comunicado, no ano de 2022. Ora, tempos depois, o decreto acabou por ser alterado, com o Estado a reconhecer o erro, recorda Carlos Alves, orgulhoso do «impacto» que a ação da associação empresarial teve numa matéria sensível para muitos empresários.
O 11.º aniversário da AESL acontece num momento e num contexto «particularmente exigente» na sequência dos incêndios de 14 de agosto, que devastaram vastas áreas florestais, com impacto direto na vida das comunidades, no setor do turismo e no tecido empresarial.
Se a floresta é «um ativo essencial para a região da Serra da Lousã», a sua preservação e recuperação têm um impacto direto no turismo, considerado um dos principais motores de desenvolvimento económico e social. Nesse sentido, continua Carlos Alves, «o grande problema» que foram os incêndios tem de ser, agora, encarados como «a oportunidade para reconstruir de uma forma diferente e melhor».
Valorização dos produtos locais também é uma preocupação importante, indica Carlos Alves
«A floresta da nossa região não pode ser apenas vista como um risco ou um problema. Ela deve ser encarada como uma oportunidade de futuro. Os incêndios mostraram-nos a urgência de mudar e, hoje, temos ao nosso alcance ferramentas e soluções que podem transformar radicalmente a forma como cuidamos da nossa terra», consideram os elementos da Associação Empresarial da Serra da Lousã.
«E como é que isso se faz? Com tecnologia», adianta o presidente da direção, salientando que existem ferramentas e soluções que podem transformar a forma como se cuida do território. «Temos já um empresário que vai lançar numa parte que ardeu um rebanho com 50 cabras e colocar GPS nelas para saber onde andam. Temos outro que já está a negociar a compra de um drone para as sementeiras», refere, ao adiantar que, nesta matéria, a missão da associação «é fazer pontes pela diferença» e, desta forma, também ajudar «a criar inovação e dar emprego tecnológico na Lousã ligado à floresta».
E continua. No que respeita ao pastoreio sustentável com tecnologia, esta pode ser «uma solução sustentável eficaz» na prevenção de incêndios, porque ao recorrer a cabras com coleiras GPS é possível controlar os rebanhos em tempo real, direcioná-las para zonas prioritárias de limpeza e registar áreas já pastoreadas. Ou seja, «o pastoreio torna-se uma ferramenta de gestão florestal inteligente, que ajuda a reduzir matos, prevenir fogos e valorizar o papel dos agricultores com possibilidade de acesso a incentivos ambientais», considera a associação.
Os drones podem também ter uma função para além da sementeira. A ideia da associação é utilizar a inteligência artificial, sensores e drones para prevenir incêndios, monitorizar solos e árvores, gerir regas e identificar pragas logo no início.
Carlos Alves destaca também a importância de valorizar produtos locais – como o mel, a carne ou o azeite - com certificação verde.
A criação de uma Bolsa de Carbono Rural, que recompensa agricultores e comunidades pela captura de carbono, «transformando o que antes era apenas esforço em rendimento justo», está também nos planos da AESL.
Como explica Carlos Alves, uma empresa que polua, no âmbito da sua atividade, pode fazer alguma coisa «para equilibrar o ambiente». No caso, pode comprar floresta, plantar castanheiros ou medronheiros, promover a pastorícia, entre outras ações.
«Estas novas práticas não são apenas inovação, são também garantia de segurança, de rendimento económico e de orgulho coletivo. Trabalhar a floresta com tecnologia, ciência e visão de futuro significa proteger as nossas aldeias, gerar rendimento para quem cá vive e dar uma nova vida ao nosso território», remata.
Orgulho, celebração e novos desafios
Ao longo de mais de uma década, a AESL consolidou e como «um agente ativo» no desenvolvimento económico e social da região, criando pontes entre empresários, comunidade e instituições públicas.
«Estes 11 anos são motivo de orgulho e de celebração. O nosso trabalho só é possível graças à colaboração dos empresários, das entidades locais e do envolvimento da comunidade. O futuro traz novos desafios, mas também novas oportunidades para continuarmos a valorizar o comércio, o turismo e o tecido económico da Lousã», refere a direção da associação.
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