
A Matemática é a forma mais bela e elegante para descrever a natureza
«A matemática é a forma mais bela e elegante para descrever a natureza». Foi com esta frase inspiradora que o físico Carlos Fiolhais abriu a segunda sessão de divulgação de ciência perante uma plateia de jovens estudantes, alunos do 10.º e 11.º anos do Colégio Rainha Santa Isabel, do Curso de Ciências Económicas.
Os alunos encheram o espaço da Biblioteca Carlos Fiolhais, que funciona na Estação Elevatória de Coimbra, pelo que o físico e cientista, que dá nome à biblioteca e doou o seu espólio bibliográfico, começou por explicar «a primeira função do edifício», que como o próprio nome indica «é uma estação elevatória de água», portanto, «subentende conceitos de física».
Só depois, passou à apresentação do tema da sessão, para a qual convidou um jovem cientista, também da área da Física e da Matemática, mostrando-se convicto de que Marinho Lopes consegue mostrar aos jovens como a «matemática é fascinante».

"A matemática é a forma mais bela e elegante para descrever a natureza", disse Carlos Fiolhais
E de facto, foi essa a perceção dos alunos no final da palestra. Pedro Rôlo, aluno do 11.º ano, referiu que «a linguagem utilizada pelos palestrantes foi clara, expressiva e esclarecedora, pelo que conseguiram cativar a nossa atenção». Já relativamente ao tema e questionado se os conhecimentos prévios de Matemática facilitaram a compreensão do tema, Pedro Rôlo foi peremptório em afirmar «sem dúvida».
O jovem gostou particularmente da abordagem «da história da Matemática ao longo do tempo», sobretudo «porque mostrou como os nossos antepassados foram tão inteligentes nas abordagens à Matemática», referindo-se ao momento em que Marinho Lopes falou dos primórdios da Matemática, lembrando o «osso de Ishango, um artefacto com 20 mil anos, do Paleolítico Superior, que revela conhecimentos matemáticos, tal como as tabelas da Babilónia ou a invenção do Zero “parcial” assumido como algarismo pelos Babilónios, e, já mais tarde, entre os séculos V e VI, quando os Indianos definiram o Zero como número e com características próprias». Explicações que, nas palavras de Pedro Rôlo, tal como nas suas colegas, Matilde, Sofia e Carolina (todas do 10.ºano), os ajuda a perceber que «a Matemática é essencial».
Mesmo para Sofia e Matilde que, confessaram que querem seguir para Direito, mas sabendo que podem «mudar de ideias», o facto de terem a disciplina de Matemática, abre-lhes «a porta a outras alternativas».
A matemática é essencial ao desenvolvimento
Mas o que, de facto, Marinho Lopes quis mostrar com a sua palestra é que, desde os primórdios, «a Matemática é absolutamente necessária para o desenvolvimento». Desde as contagens para as trocas comerciais ao desenvolvimento de conceitos mais abstractos, como o do zero, Marinho Lopes, foi explicando que foi preciso um salto de 10 séculos para novos avanços». Com matemáticos, como Luca Pacioli, Blaise Pascal e Pierre de Fermat, - com a procura da solução para o problema dos pontos - pode dizer-se que se deu início a uma nova era da Matemática, em que as probabilidades abriram a previsibilidade do futuro.
Palavras que deram o mote para Carlos Fiolhais, no final da palestra, exortar os alunos a «empenharem-se em escolher o seu caminho», pois apesar de o futuro ser incerto, «por certo, há muito que cada um de nós pode fazer e uma dessas coisas, é estudar Matemática, que nos dá uma excelente ferramenta para não nos deixarmos enganar, entre muitas outras coisas». Mas Carlos Fiolhais vai ainda um pouco mais longe, referindo que «a beleza da Matemática só se revela aos mais pacientes», citando uma matemática iraniana, «o que obviamente, exige trabalho».
E foi toda essa perserverança dos matemáticos e outros cientistas que levou à Inteligência Artificial. Marinho Lopes falou ainda de Newton e Leibniz, que desenvolveram as noções de cálculo, essenciais para o desenvolvimento da Matemática, que impulsionou uma nova era da ciência, com o desenvolvimento de várias áreas da ciência, desde a astronomia, a química, biologia, engenharia, tecnologias que levaram à Revolução Industrial. Outra curiosidade que chamou a atenção dos jovens foi perceber como é que a Segunda Guerra Mundial levou à encriptação das comunicações, que exigiu um esforço de investigação por parte dos aliados para a sua descodificação e como isso deu lugar ao computador. Daí à inteligência artificial foi um salto.











