Areaclientedc
Última Hora
Legua Dc
Pub

Discurso de “preocupação” marcou abertura solene das aulas na UC

Foi com um ar sereno, mas preocupado, que Amílcar Falcão deu o “pontapé de saída” para mais um ano letivo na Universidade de Coimbra. Preenchimento de vagas e cursos desertos foram temas que não foram esquecidos

A Universidade de Coimbra (UC) teve ontem a sua Sessão Solene de Abertura de Aulas, com direito a vários discursos que “iluminaram” a Sala Grande dos Atos. Com grande impacto, e com longa duração, o discurso de Amílcar Falcão foi pautado por uma análise «consciente e informada» sobre o ensino superior português, com especial foco no caso local.

«Há análises para todos os gostos, sendo que uma parte importante é desinformada, descontextualizada ou enviesada», explicou o reitor da Universidade de Coimbra relativamente ao preenchimento das vagas disponíveis nas estabelecimentos de ensino superior. Segundo Amílcar Falcão, a questão principal não passa «apenas» pelos problemas da «propina e habitação», mas sim, estruturalmente, pelo regresso às exigências «pré-pandémicas». «As comparações com os números de 2020-2024 são irrealistas. Os números de 2025 devem ser apresentados em conjunto com os de 2019, onde se faz uma comparação muito mais realista».

Com dados mais que concretos, relembrou que entre 2020 e 2024 o número de alunos colocados «rondou os 50 mil» num universo de 60 mil, sendo que em 2019 existiram cerca de 44.500 colocados, em 50 mil (em 2025 foram colocados 44 mil alunos, dentro dos mesmos candidatos de 2019). Deste modo, a análise efetuada revela que uma das características diferenciadoras dos últimos quatro anos foi, efetivamente, a mudança nos parâmetros de conclusão do ensino secundário (nos últimos quatro anos os exames não contavam para conclusão do 12º ano, voltando agora a entrar nas contas) e, simultaneamente, as provas de ingresso para as faculdades voltaram a ser duas (anteriormente era apenas necessária a apresentação de um exame).

Abertura Solene Das Aulas Uc Fig 41

Sob a luz desta nova avaliação, o reitor fez ainda um exercício mental sobre a quantidade «excessiva» de cursos, que, este ano, ficaram em grande número desertos. «Dos 1.131 cursos disponibilizados, existiram 41 que ficaram desertos e 135 cujo número mínimo de estudantes não foi atingido», tudo isto na primeira fase de candidaturas. A estes pode, ainda, ser acrescentado o número de cursos que apenas atingiram o número mínimo de abertura (385) perfazendo um total de 561 cursos em situação preocupante.

Refletindo nestes aspetos, Amílcar Falcão desenvolveu um pensamento que visou a reforma do ensino superior através de uma análise às necessidades reais e à «qualidade do ensino e atratividade» para garantir o sucesso dos cursos, mesmo que a oferta venha a ser reduzida. Em paralelo, considerou ainda necessário dar atenção ao progresso escolar no ensino secundário e pré-secundário para combater o insucesso escolar e combater a «não-conclusão» do ensino secundário, notando que é preocupante constatar «14 mil reprovações no exame de Português».

Ação social de relevo

Com foco na «proteção» de uma boa alimentação e no apoio social, o reitor explicou que as cantinas têm um papel fundamental neste aspeto e prometeu uma novidade. «O valor da refeição social vai manter-se nos 2,40€ e, a partir de amanhã [hoje], para alunos bolseiros o preço será de 2€».

Para além da alimentação, também a habitação é um tema fraturante, tendo Amílcar Falcão afirmado um reforço (de 1011 para 1544 camas) para o ano letivo de 2026/2027.

Já (quase) em jeito de conclusão, houve destaque para a investigação na UC, com a felicitação de Vanessa Coelho-Santos, pela conquista de financiamento, da Starting Grant do European Research Council, de mais de 2 milhões de euros, uma prova do sucesso dos seus projetos de investigação.

“Coragem e responsabilidade” nos estudantes

Em referência a mais um ano letivo na Universidade de Coimbra, Carlos Magalhães revalidou a importância e o destaque da cidade de Coimbra

«Estudar no Ensino Superior é um exercício de coragem e de responsabilidade». Foram estas algumas das palavras que deram início à intervenção de Carlos Magalhães, presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC).

Em discurso que não escondeu a ligação entre DG/AAC e Universidade de Coimbra, nem as preocupações com o estado do Ensino Superior nacional, Carlos Magalhães relembrou que «são os estudantes que fazem a universidade», um facto que preocupa principalmente no final dos resultados do presente ano letivo. «É preciso analisar cuidadosamente os dados deste ano para se entender o porquê dos cursos desertos e dos números tão negativos», indicou.

Enaltecendo o trabalho da academia de Coimbra nas lutas académicas, o presidente sublinhou preocupação perante vários problemas que assolam a comunidade estudantil. «É necessário procurar soluções, para a propina, para o aumento do custo de vida, para a reduzida habitação, pela mobilidade», tudo dificuldades que se relacionou com a falta de preenchimento de vagas, e que apelou para que as autarquias locais ajudem a solucionar.

Abertura Solene Das Aulas Uc Fig 49

Paulino Teixeira em oração de sapiência

Professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Paulino Teixeira foi o orador escolhido para proferir a oração de sapiência da abertura solene das aulas da Universidade.

Analisando o tema “Causalidade em Economia: O Saber de Experiências Feito”, realçou pontos importantes nos estudos económicos, contrastando com vários tópicos da vida e outras áreas do saber, sempre focado no acolhimento dos alunos

Abertura Solene Das Aulas Uc Fig 52
Outubro 2, 2025 . 08:00

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right