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O aumento de apps de entrega de comida em Portugal

Entenda como o aumento das apps de entrega de comida mudou o mercado português. Descubra as tendências, impactos e desafios deste fenómeno.

É inegável a comodidade que as apps de comida passaram a oferecer às pessoas. Na verdade, o seu crescimento deveu-se muito à pandemia de Covid-19, numa altura em que as pessoas não podiam sair de casa.

Mas esta foi uma tendência que ficou. Tanto em Portugal como no mundo, estas apps passaram a ser parte do quotidiano, não só para o envio de comida, mas também de outro tipo de produtos. Afinal, se as compras online já são comuns, então a aquisição de comida enviada rapidamente até casa passou a ser mais uma das opções convenientes. Veja como este fenómeno cresceu, as suas vantagens e os seus impactos no país.

Das pizzas a qualquer coisa: tudo sem sair de casa

Há muitos anos que o take-away existe como uma forma de oferecer conforto aos clientes e diversos restaurantes locais já ofereciam o serviço para que os clientes levassem a sua comida para casa. Contudo, o serviço de distribuição propriamente dito estava particularmente limitado.

Com a pandemia, tudo isto mudou. Além dos restaurantes de pizzas e semelhantes, todos os estabelecimentos estavam encerrados ao público, mas continuavam a ter a necessidade de faturação. Por outro lado, as pessoas queriam refeições sem sair de casa.

Assim, as apps de comida intensificaram-se como salvação para ambas as partes. Só nos Estados Unidos, entre fevereiro e dezembro de 2020, período em que começaram as primeiras restrições e confinamentos, o número de transações de entrega de comida aumentou de forma impressionante, registando um crescimento de 96%.

Em Portugal, o crescimento do setor também se fez sentir, mesmo depois da pandemia. Em 2022, o mercado de entregas alcançou cerca de 1,5 mil milhões de euros, mais 25% do que no ano anterior, sendo que a entrega de refeições ao domicílio se revelou como a grande maioria deste valor (80%).

O aumento da variedade e o crescimento das apps

Graças a apps como Uber Eats, Glovo ou Bolt Food, é possível ter comodidade para receber tudo o que quiser em casa. Compras de supermercado, farmácia, artigos de higiene e, claro, refeições, estão incluídas. A Glovo, por exemplo, tem entregas de “qualquer coisa”. Isto quer dizer que os utilizadores podem pedir envios de objetos pessoais a outras pessoas.

Dentro desta variedade, a comida gourmet poderá ser um novo caminho. Os consumidores procuram alternativas, podendo passar por pratos diferenciados e considerados apenas dignos de serem apreciados num restaurante.

Além disso, estas empresas não vão parar de se expandir. A Uber Eats por exemplo, começou de forma modesta em 2017, mas em 2021 já tinha 72 vezes mais restaurantes. Nesse mesmo ano, já servia 75% da população nacional com mais de 8.800 estabelecimentos.

Novas rotinas e um mundo mais digital

O aumento de utilização do delivery de comida não está sozinho. De forma generalizada, existe um crescimento no consumo imediato.

Desta forma, os portugueses foram habituando-se a não ter grande dificuldade em terem o que pretendem à porta de casa o mais rápido possível. Empresas que não acompanhem este fenómeno podem sentir-se a ficar para trás.

Não é novo que tudo se está a tornar online e vários negócios hoje são parte deste universo. Bancos, que têm as suas próprias apps, supermercados, plataformas de streaming e até o casino online, já se estabeleceram no digital.

Os impactos do aumento de entrega de comida em casa

Nem tudo é perfeito. Se para uns a pandemia foi negativa em termos financeiros, para outros foi uma oportunidade de negócio. Os restaurantes viram-se obrigados: ou encontravam alternativas para continuar a vender, ou fechavam as portas. Desta forma, as apps de entrega de comida tornaram-se essenciais para muitos nesta transição.

Um fator a avaliar é o trabalho que os estafetas receberam. Muitos viram nas plataformas uma forma de rendimento extra ou até a tempo inteiro. Um trabalho que as empresas que gerem as apps dizem ser flexível para estes profissionais.

Todavia, tem sido crescente o número de críticas face ao estatuto que estes trabalhadores detêm. Muitos dizem ser mal pagos pelas entregas que fazem e ter um vínculo precário.

Além disso, o estatuto de trabalhadores independentes que pode ser aplicado caracteriza-se pela instabilidade, algo que tem sido reclamado pelos estafetas. Esta realidade tem vindo a ganhar ainda mais destaque após decisões como a da Relação de Coimbra de não reconhecer contratos de trabalho de estafetas da Uber Eats, em processos recentes.

 

O futuro das apps de entrega

O setor das entregas de comida parece longe de abrandar. Os consumidores passaram a estar habituados a ter ao seu alcance uma grande variedade de comida pronta sem esforço e em pouco tempo.

Isto é uma tendência claramente global. Para ter ideia, estima-se que a receita mundial das entregas de refeições deverá subir de 156,7 mil milhões de dólares em 2024 para mais de 173 mil milhões em 2025, mantendo um ritmo de crescimento anual acima dos 10%.

Contudo, grande parte desse impulso vem da Ásia-Pacífico, que se prepara para liderar o mercado. Com uma projeção de quase 718 mil milhões de dólares já em 2025, avalia-se uma expansão contínua que poderá aproximar o volume dos 989 mil milhões até 2029.

Para além disso, os próprios restaurantes que se associam a estas plataformas digitais também são um alvo dos seus benefícios. Estes estabelecimentos verificam em média um acréscimo de 42% nos seus rendimentos logo no primeiro ano, o que confirma o impacto transformador destas aplicações, essencialmente no setor da restauração.

Outubro 1, 2025 . 14:45

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