
Ingredientes simples conferem nobreza ao arroz-doce
Leite, açúcar, arroz e canela. Ingredientes simples, cuja conjugação faz as delícias de Portugal inteiro. Em Coimbra, o arroz- doce tem um sabor particular, conferido pela textura peculiar do arroz carolino do Baixo Mondego. Em Coimbra tem, também, os seus maiores defensores, a Confraria do Arroz- Doce. Nasceu em Almalaguês, onde tem a sua sede e, ontem, pela primeira vez celebrou o seu sexto aniversário “fora de portas”, conquistando a cidade. Uma cerimónia realizada no Convento de S. Francisco, que reuniu representantes de 37 confrarias, vindas dos mais diversos pontos do país. Na antiga igreja do Convento, hoje Sala D. Afonso Henriques, cinco novos confrades efetivos e dois de honra juntaram-se à “família” e juraram defender a identidade deste doce de eleição.
Uma sessão cheia de surpresas, onde a “mestre de cerimónias”, Ana Mateus, destacou as particularidades de Coimbra, reconhecida como Região Europeia de Gastronomia em 2021, sinal de uma aliança feliz entre a gastronomia, a cultura, o turismo e a economia, «a que Coimbra tem feito jus». Mais recente, o Prémio Europeu do Património Cultural, Europa Nostra 2025, que distinguiu os teares de Almalaguês. «O fio e o grão entrelaçam-se, o artesanato e a gastronomia caminham lado a lado», afirmou, lembrando que são estes panos, obras de arte feitas pelas tecedeiras, que «cobrem os pratos de arroz-doce».
Um doce que é «um cartão de visita», uma forma de acolher e de encantar», destacou Ana Mateus, ou uma das maiores expressões da «nossa cultura», uma «expressão de afeto, sempre presente nas ocasiões especiais», no dizer do presidente da Câmara de Coimbra. «Uma das sobremesas mais queridas do nosso país, afirmou José Manuel Silva, na mensagem lida por Pedro Peixoto (devido à necessidade de o autarca se ausentar momentaneamente da cerimónia), que lembrou a oportunidade do capítulo da Confraria do Arroz-Doce coincidir com as celebrações do Dia Mundial do Turismo. «Gastronomia e turismo são indissociáveis e contribuem para levar o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo», disse Significa que, quem nos visita leva na bagagem «a beleza da paisagem», «mas também os sabores», a «doçura de bons momentos partilhados à mesa». O arroz-doce «é mais do que uma expressão da nossa culinária, é uma expressão de afetos, sempre presente em ocasiões especiais», disse ainda, salientando a mestria da conjugação do arroz, do leite, do açúcar e da canela para a confeção de «uma das sobremesas mais queridas do nosso país». Doce que, na região de Coimbra, com o arroz do Baixo Mondego, faz a aliança perfeita entre «o campo e a mesa».
Um doce que é simultaneamente «memória» e «futuro», adiantou, referindo a ligação estreita entre turismo e gastronomia, hoje «uma das formas mais procuradas para conhecer o país» e descobrir a «diversidade», a «autenticidade» e a «qualidade» da oferta que apresenta. «Portugal está na moda», afirmou o autarca, e «Coimbra, com o seu património histórico, cultural e doceiro tem todas as condições para se afirmar» e o arroz-doce «pode ser uma bandeira dessa afirmação turística», concluiu José Manuel Silva.
“Somos [confrarias] diferentes nos produtos que defendemos, mas somos iguais no amor pela cultura e pelas tradições”, afirmou Ana Mateus
Filipe Lopes, presidente da Assembleia Geral, enalteceu a «vitalidade do movimento confrádico», expressa na presença de 37 confrarias, e Jaime Silva, tesoureiro da Junta de Freguesia de Almalaguês, enfatizou o trabalho que a instituição tem feito e que irá «marcar as próximas gerações». Aliás a Confraria do Arroz-Doces tem dado provas dessa vitalidade e em março apresentou uma obra de investigação inteiramente dedicada ao arroz-doce.
A celebração contou com dois momentos musicais, a cargo de Beatriz Martins, o primeiro à capela, o segundo acompanhada ao piano e depois à viola e guitarra, com a oração de sapiência, sobre “A Doçaria de Coimbra” a cargo do professor e investigador da Universidade de Coimbra, João Pedro Gomes. O momento alto foi a entronização dos cinco confrades efetivos, Brígida Firmino Reis da Silva Mateus, Olga Fernanda Fernandes Martins Peixoto, Otília Rosa Arsénio da Silva, José Luís Araújo e Sílvio Miguel Coelho Martins. Como confrades de honra foram entronizados Ana Mateus, a mestre de cerimónias da Confraria, e Catarina Costa, da marca “Sete Irmãs” de arroz carolino do Baixo Mondego. Apanhadas de surpresa, as novas confrades de honra agradeceram, emocionadas, a distinção.











