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Encontro nacional juntou “boinas verdes” em Coimbra

Evento reuniu quatro centenas de paraquedistas, vindos dos quatro cantos do país. Mau tempo e ordem para destroçar não conseguiram estragar a festa

O primeiro momento foi para "alimentar o espírito" e viveu-se com grande emoção e comoção, ontem ao final da manhã, na Igreja de Santa Cruz. O templo, Panteão Nacional, ficou lotado, e entre os fiéis habituais da missa das 11h00 e os turistas que, curiosos, faziam uma visita, dominavam os “boinas verdes”, com os respetivos estandartes e o andor do seu padroeiro, o arcanjo São Miguel. Vindos dos quatro cantos do país, os paraquedistas juntaram-se ontem no terceiro encontro nacional. Depois de Ponte de Lima e de Guimarães, foi a vez de Coimbra acolher o evento, que pretende reunir a família dos “boinas verdes”.

«Há mais de 46 mil paraquedistas, formados desde 1955», esclareceu ao Diário de Coimbra o general Jerónimo, que realça a importância destes encontros de âmbito nacional para reunir a «família» dos ”boinas verdes”. Eventos de confraternização e de convívio, onde se encontram militares reformados, na reserva e no ativo, juntos pelo «espírito de camaradagem» que «fica para toda a vida». «É como os estudantes de Coimbra, que ficam sempre ligados à cidade», adiantou o antigo chefe do Estado Maior do Exército, uma das figuras de proa presentes no encontro.

Fuga de gás na Praça 8 de Maio obrigou a “destroçar” e temporal cancelou saltos de paraquedas e voos de balão de ar quente na Praça da Canção

A data escolhida para o encontro nacional é o dia do arcanjo São Miguel (dia 29, antecipado, para aproveitar o fim de semana). «São Miguel, tal como os paraquedistas, desce dos céus para combater em terra», diz o general, recordando que foram as tropas francesas que, durante a II Guerra Mundial, em 1944, elegeram São Miguel como padroeiro dos paraquedistas

Voltando à Igreja de Santa Cruz, quase no final da cerimónia o “toque do silêncio”, ou “toque aos mortos”, arrepiou e comoveu a multidão e não foi preciso qualquer explicação para todos perceberem o que se passava. O som do trompete de João Vaz, um jovem militar que integra a Charanga da GNR e faz parte da Banda Filarmónica do Louriçal (Pombal) fez-se ouvir, numa homenagem a todos quantos partiram já deste mundo. Homenagem corporizada, depois, com a colocação de duas coroas de flores junto ao túmulo de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.

Terminada a cerimónia, paraquedistas no ativo e reformados, militares e civis, foram abandonando a Igreja, juntando-se aos que cá fora, na Praça 8 de Maio, aguardavam o desenrolar das cerimónias. Estava previsto que ali mesmo, em frente à Câmara, entre os estandartes das várias organizações e o andor de São Miguel, se ouvissem os discursos de circunstância, nomeadamente do general Jerónimo e de Pedro Simões, presidente da Associação de Paraquedistas de Coimbra, responsável pela organização do encontro. Todavia, foi dada ordem para “destroçar”. Tudo devido ao alerta para uma fuga de gás, num dos edifícios da praça, que levou ao local os Bombeiros Sapadores e Voluntários. «Nada de grave», garantiu-nos a posteriori fonte dos Sapadores. Todavia, foi necessário criar um perímetro de segurança e evacuar o local, alterando o programa do evento.

Também os efeitos do temporal “Gabrielle” deixaram uma marca negativa. «Não foi possível pôr os balões (de ar quente) no ar», que estavam previstos para a manhã, na Praça da Canção. Um primeiro brinde ao público de Coimbra, secundado, à tarde, pelos «saltos de paraquedas». Logo ao princípio da manhã, um balão ainda subiu, mas «questões se segurança» impediram repetir a proposta, face ao vento forte que se começou a fazer sentir. Situações não previstas, decorrentes do mau tempo, que não permitiram «chamar mais gente à Praça da Canção», considera Pedro Simões, que pese embora estes contratempos, não deixa de estar satisfeito. «Temos aqui 400 pessoas, vindas de norte a sul do país, é bom», diz, agradecendo a colaboração de todas as entidades que permitiram realizar este encontro em Coimbra, que culminou com um almoço, na tenda onde para a semana decorrem os concertos da Festa das Latas.

Setembro 28, 2025 . 09:20

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