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Novas tecnologias revolucionam produção agrícola na Tocha

MONDA - Feira Agrícola da Tocha ainda pode ser visitada hoje. Uma iniciativa da Cooperativa Agrícola, que pretende promover o setor primário e mostrar que a agricultura é um mundo novo.

A agricultura está diferente. «Hoje é possível estar sentado num gabinete e controlar o campo». E mesmo sendo necessário «ir ao terreno», hoje «não se anda sempre com a enxada na mão». As palavras são de Marco Breda, engenheiro da Cooperativa Agrícola da Tocha, e a comprová-lo está uma vasta panóplia de equipamentos inovadores.

É a tecnologia aplicada ao mundo rural, que é possível conhecer e ver em ação na MONDA – Feira Agrícola da Tocha, que decorre no Bairro Rovisco Pais. O exemplo mais atrativo dessa tecnologia será, certamente, o drone, uma verdadeira “máquina” ao serviço da lavoura.

Trata-se de tecnologia de origem chinesa, apresentada no certame pela Benjamim F. Limede, empresa de Cantanhede que se dedica às comercialização de máquinas e alfaias agro-florestais. Os drones são, efetivamente, a “coqueluche” e estão na MONDA para mostrar o que valem. «É tudo mais, mais mais», garante António Ramalho. O preço, convenhamos, é elevado, pois o equipamento simples não fica por menos de 15 mil euros e a verdade é que não funciona sem uma parafernália de adereços. Por isso, a empresa, que começou por ser representante da marca “XAG”, optou por entrar na prestação de serviços. Aconteceu há cerca de ano e meio e tem sido um sucesso, garante António Ramalho, secundado por Manuel Claro.

 

"Hoje é possível estar sentado num gabinete e controlar o campo"

No certame apresentam dois exemplares, um terrestre, o “Rover” que ainda está em testes. Em “velocidade cruzeiro” está o “Multiretor”, um verdadeiro “Condor”, cujo voo permite efetuar uma multiplicidade de tarefas, com ganhos acrescidos de eficácia e custo.

Significa que podem fazer sementeiras, aplicar fertilizantes e tratamento corretivos com uma minúcia e uma precisão invejáveis. «Há uma otimização dos serviços, poupança, em termos de custo e também não se gasta tanta água», explica António Ramalho. Marco Breda esclarece que em culturas em que a média de consumo de água é de 400 ou 600 litros por hectare, se consegue um gasto «10 vezes inferior».

O factor humano também é fundamental, uma vez que não há “exposição” do operador. «É tudo mais», reforça António Ramalho, preparando-se para mais uma demonstração do potencial do drone.

 

"Há uma otimização dos serviços, poupança, em termos de custo e também não se gasta tanta água"

Demonstrações feitas num hectare de terreno, onde a Cooperativa Agrícola plantou e semeou hortícolas, que apresenta aos visitantes, dando a conhecer, igualmente, diferentes fertilizantes. Um campo que também demonstra as particularidades de uma sementeira e plantação modernas, feitas com plantadores com GPS.

O resultado são plantas perfeitamente encarreiradas, equidistantes, cujas “coordenadas” são importantes para o crescimento e particularmente para a colheita.

Um campo onde se apresenta desde a alface frisada, roxa e lisa, plantadas há 24/25 dias e prontas para a colheita. Seguem-se os nabos “de cabeça”, semeados há pouco mais de 20 dias. Do lado opostos estão as couves, desde a couve-flor, à roxa, couve lombarda, brócolos e coração, plantadas mais ou menos na mesma altura, depois da sementeira, em tabuleiro. Pelo meio está um “pedaço” de morango, que resta de um campo enorme, que teve o seu “pleno” em junho/julho.

 

Feira Agricola 29

Este ficou «por causa das crianças» do Agrupamento de Escolas da Tocha, que no primeiro dia da feira foram os convidados de honra e se deliciaram a apanhar morangos, conta Marco Breda. A propósito, se a plantação já é mecanizada, a colheita do morango ainda segue os parâmetros tradicionais, ou seja, é feita à mão. «A robótica já tem soluções», garante o engenheiro da Cooperativa, todavia trata-se de «um equipamento muito caro». «Que eu saiba, em Portugal ainda não existe nenhum», acrescenta.

Culturas, alfaias e equipamentos que se juntam aos stands do Gabinete de Apoio Agro-Florestal do Município de Cantanhede, da Associação de Apicultores, de empresas de fertilizantes biotecnológicos – resíduos zero e biológicos, bem como seguradoras, empresas de rações e de peças para tratores e alfaias. A Associação de Moradores da Caniceira garante a zona de refeições. 

O certame apresenta, ainda, um “Acampamento Medieval Agrícola”, que convida a uma viagem no tempo e a conhecer alguns dos artefactos usados na altura no cultivo das terras. Não falta ali uma águia, da espécie Harris, de nome “Tyr”. Ave que no passado era usada como «meio de caça».

Setembro 21, 2025 . 09:20

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