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Rua da Sofia é o epicentro da Bienal Manifesta 2028

Deixar um legado de transformação urbana e cultural na cidade é um dos principais objetivos da bienal europeia, em parceria com o Anozero 2028

A 17.ª edição da Manifesta, que decorre em Coimbra em 2028, vai ter como epicentro de intervenção a Rua da Sofia. A novidade foi dada ontem durante a cerimónia de apresentação pública da Bienal Nómada Europeia, que decorreu nos claustros do Colégio da Graça, com José Manuel Silva, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, a classificar esta atenção especial à Rua da Sofia como «a cereja no topo do bolo» de um acontecimento que «é algo absolutamente estratosférico» e que se pretende que seja «uma plataforma transformadora que ajudará a catapultar» a cidade para o futuro.

Com a garantia do apoio de 4 milhões de euros por parte do Governo à bienal (cerca de metade dos oito mil previstos para a preparação do Manifesta), o autarca destacou mes­mo que «o maior investimento cultural da nossa cidade vai ser na Rua da Sofia».

Aliás, o vice-reitor da Universidade de Coimbra, Delfim Leão, é de opinião de que a Rua da Sofia é uma espécie de «ferida ainda aberta» no património do concelho, mas espera que a bienal venha criar «novas centralidades em espaços que são excêntricos e refundar toda a relação com a cidade».

Na cerimónia, o diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) salientou que a Manifesta, a decorrer em parceria com o Anozero 2028, «será um dos mais importantes acontecimentos nas artes plásticas e na renovação urbana da história de Coimbra».

Numa ação «para lá do território urbano», a bienal dará uma especial atenção ao impacto dos incêndios e a uma reflorestação a partir de árvores autóctones, afirmou Carlos Antunes.

«Os fogos que sistematicamente assolam o território nacional, em particular o Centro do país, necessita que continuamente reflitamos nele e proponhamos contributos pa­ra a sua mitigação. A “sea of trees” – um mar de arvores, é, na verdade o título do BID Book que apresentámos à manifesta e que colheu um forte entusiasmo», continuou.

Nesse sentido, será desenvolvido um «projecto piloto integrado de reconversão florestal de um mínimo de 400 hectares por município, recuperando a floresta autóctone, comprovadamente mais resistente, e que seja palco de um plano de programação artística», destacou, ao ressalvar que os 19 municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra terão participação ativa.

Para a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, a Manifesta é «um projeto europeu de grande escala, com impacto na cidade, na região e no país».

Margarida Balseiro Lopes não tem dúvidas de que a bienal, na dimensão económica, «vai ser um poderoso motor de internacionalização para Coimbra», ao mesmo tempo que, na dimensão urbana, «vai transformar Coimbra numa verdadeira metrópole cultural, onde património e contemporaneidade dialogam lado a lado».

A governante não descarta a dimensão ambiental, porque, frisou, «a cultura deve ser parte integrante da resposta às grandes questões do nosso tempo». É nesse sentido que «a cultura vai ser chamada a lançar um olhar crítico sobre os desafios ambientais, em particular sobre a recuperação das florestas nativas e a necessidade de gerir melhor o território rural», acrescentou, sublinhando que o projeto vai criar «raízes que perdurem para além de 2028».

A garantia de financiamento de 4 milhões de euros, continuou Margarida Balseiro Lopes, «não é apenas um sinal político», mas também «a expressão de uma visão: a de que investir na cultura é também investir na economia, na reabilitação urbana, na mobilização das comunidades e na capacidade de projetar Portugal no mundo».

 

 

 

“Coimbra é uma cidade com vários pontos vibrantes e energéticos”

Momento de «regeneração cultural e urbana» é assim que diretora da Manifesta, Hedwig Fijen, classifica a Bienal Nómada Europeia.

«Queremos analisar como espaços abandonados, como aqui na Rua da Sofia, podem ser revitalizados. É essa a nossa ambição», destacou na sessão nos claustros do Colégio da Graça.

Na perspetiva da diretora da Manifesta, Coimbra é uma cidade com «vários pontos vibrantes e energéticos», pelo que levar a bienal ao espaço que é Património da Humanidade é um momento para afirmação de um «grande impacto social».

Manifesta Colégio Da Graça
Setembro 18, 2025 . 07:45

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