
Ex-alunos recordam o tempo de ir buscar a bola à “terra da mana”
Frequentaram a Escola Primária de Miranda do Corvo nos anos 50 e 60 do século XX. Todos rapazes, pois, à época, as escolas não eram mistas, isto é, os rapazes frequentam uma escola e as raparigas outra. Mas em Miranda do Corvo, apesar da separação, os rapazes, mais atrevidos, arranjavam sempre forma de «deitar o olho» para o edifício ao lado.
E ontem ouviu-se, no XV Encontro Anual de Ex-Alunos da Escola Primária de Miranda do Corvo, que «há um namoro dessa altura que resultou em casamento e ainda perdura», mas o casal não esteve presente neste 15.º encontro que começou em 2008, com o objetivo de prestar homenagem ao professor Vítor Seixas.
«Um professor especial», num tempo em que «o ensino era muito rígido», tal como referiu Aurélio Simões, hoje com 78 anos, corroborado por Rogério Caetano, hoje com 73 anos.
Ontem, em dia de convívio de antigos colegas de escola, foi tempo de recordar muitas das vivências. E de sonhos, «poucos» como foi explicando Justino Araújo Barbosa, que lembra que, com muitos irmãos, logo que terminassem a escola tinham de ir trabalhar.
«Nas serrações e fábricas de cerâmica» do concelho, ou, como Rogério explicou que, juntamente com Justino, foram trabalhar para a Casa de Saúde da Sofia, um como jardineiro e outro como ascensorista. «Comíamos e dormíamos num asilo para velhos que existia junto à Igreja da Graça», recorda Rogério.
Foi a partir dali que «se fizeram à vida. De militar no Ultramar, emigrante, entre outras ocupações, tal como outros colegas, a maioria dos quais permanece no concelho.
Presente no encontro, - organizado pelo grupo “Os Terra da Mana”, nome que evoca uma expressão dos alunos quando tinham de ir buscar a bola à terra da mana (terreno contíguo à escola que era propriedade de duas irmãs) - esteve também Luís Seixas, médico reformado, mas que não falta aos encontros, recordando que, por ser o filho do professor, «tinha de ser o exemplo para os colegas». Se um levava uma reguada, eu levada duas», confessa divertido.
Presença assídua nos encontros é Jaime Ramos, que ontem recordou os tempos de então.
«Todos nós, hoje aqui presentes, éramos bem felizes», contou, recordando que «foi o primeiro licenciado que ficou no concelho».
Uma opção que se traduziu numa vida dedicada ao desenvolvimento da sua terra natal, recordando, a propósito que, no 25 de abril, Miranda do Corvo e Mira eram os dois únicos concelhos do país que não tinham hospital concelhio. Talvez por isso, a sua aposta no Hospital Compaixão «seja uma correção histórica», confessou.













