
Secretário de Estado da Proteção Civil rejeita críticas sobre falta de meios
Num périplo pelos 20 concelhos com maior área ardida nestes últimos incêndios, o secretário de Estado da Proteção Civil visitou, esta quarta-feira, Oliveira do Hospital. Depois de uma reunião com o presidente do Município oliveirense, corporações de bombeiros do concelho e elementos do Serviço Municipal de Proteção Civil, Rui Rocha remeteu para mais tarde a avaliação da prestação do Comando Operacional Nacional, uma vez que o dispositivo especial de combate a incêndios ainda se encontra em funcionamento.
Confrontado com as inúmeras críticas de que foi alvo o Comando Nacional na coordenação do combate ao incêndio que começou no Piódão e na gestão de meios, Rui Rocha diz «querer acreditar» que todas as decisões foram tomadas no sentido de extinguir rapidamente o fogo. «Será feita uma avaliação mais profunda do ponto de vista operacional. Não é o tempo ainda, mas há-de ser feita», sublinhou.
A considerar que a prevenção continua a ser a principal chave para o combate aos incêndios, o governante recordou o «enquadramento e as circunstâncias difíceis» daqueles dias, nomeadamente «a intensidade, a velocidade e a projeção do fogo, as condições meteorológicas e os ventos convetivos».
«Será feita uma avaliação mais profunda do ponto de vista operacional. Não é o tempo ainda, mas há-de ser feita»
A recusar admitir falta de meios, o responsável recordou também «a simultaneidade de incêndios, alguns que duraram vários dias como este». «Chegámos a ter noites com 40 ignições», disse.
Perante críticas das populações e autarcas, Rui Rocha não tardou em afirmar que «nunca vai existir um carro e um bombeiro para colocar ao lado de todas as casas». Considerou também «injustas» as críticas feitas aos bombeiros, pois eles «foram inexcedíveis» e «deram tudo de si a favor dos outros».
A partir do Centro Municipal de Proteção Civil de Oliveira do Hospital, que o secretário de Estado considerou «de qualidade e de um grandeza» que «demonstra uma autarquia bem posicionada», Rui Rocha explicou que a sua visita ao território teve como propósito «o reconhecimento e o agradecimento do desempenho do presidente do Município e dos bombeiros em momentos críticos e dramáticos».
Francisco Rolo entre os críticos
Considerando-se como «um dos protagonistas das críticas», o autarca de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, voltou a criticar a falta de meios, sobretudo aéreos, e a coordenação no combate às chamas. «Não é à toa que ardem 4.620 hectares», frisou. Por outro lado, o presidente reconhece o desempenho das corporações locais que «conhecem e movimentam-se bem no território que lhes é familiar», ao contrário dos bombeiros oriundos de outras partes do país, como da «grande Lisboa».
«Eu vi o fogo a atravessar o rio e a entrar na malha urbana de Alvoco, serem pedidos meios aéreos e eles não virem. Foi preciso chegarmos ao extremo para chegar um helicóptero», lembrou, considerando que «aquilo que se passou no Parente entra no domínio do absurdo».
«O fogo lavrava livremente e era proibido que passasse a Estrada Nacional 230», explicou, afirmando que «com outra gestão de meios, particularmente aéreos, teríamos muito menos área ardida».
Mais de um milhão já pagos aos bombeiros
O secretário de Estado anunciou às corporações de Oliveira do Hospital e de Lagares da Beira o pagamento de «despesas extraordinárias» decorrentes do combate a este grande incêndio. Segundo Rui Rocha, está a ser agilizado um conjunto de procedimentos para garantir maior celeridade para o ressarcimento das despesas ou adiantamento do pagamento anual. Nas últimas semanas, afirmou, «já foram pagos mais 1 milhão de euros».











