
Fernão Mendes Pinto de novo em viagem entre Montemor e o Japão
Séculos passaram e a admiração dos japoneses por Fernão Mendes Pinto mantém-se. O explorador, mercador e missionário jesuíta português, nascido em Montemor-o-Velho em 1510, e que terá sido um dos primeiros a desembarcar no Japão, voltou recentemente a “viajar” até ao Oriente, onde a sua estátua, que pertence ao município de Montemor-o-Velho, esteve para visita na Expo Osaka 2025. A estátua de bronze que integra o espólio do Museu Municipal Peregrinações foi e regressou a “casa”, mas agora volta, não a mesma, mas uma exatamente igual que o Município de Montemor-o-Velho ofereceu ao município nipónico de Hiji. A partida “deste” Fernão Mendes Pinto rumo ao Japão foi dada esta terça-feira.
Emílio Torrão, presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, recorda o sucesso que a estátua do aventureiro e autor das Peregrinações fez no Pavilhão de Portugal na Expo Osaka 2025. Ora, nestas visitas, Hiji mostrou a sua admiração pelo navegador que, de resto, terá desembarcado nesta localidade nipónica onde ainda hoje é recordado através de uma reconstituição histórica. Através da Embaixada do Japão, explica Emílio Torrão, encetaram-se os contactos, com Hiji a manifestar vontade de ter uma estátua igual na sua localidade. Daqui também se deram os passos para uma geminação entre os dois municípios que têm em Fernão Mendes Pinto o elo comum. «Fernão Mendes Pinto é muito admirado no Japão onde os portugueses são muito queridos», comenta o autarca.
Fernão Mendes Pinto, que tal como no século XVI partiu de Montemor-o-Velho, ainda estará a “caminho” do Japão. Chegará a tempo da festividade que ocorre por finais do mês de outubro e que celebra o desembarque no navegador português por aquelas paragens. «Hiji teve o segundo ou terceiro desembarque de portugueses onde estava Fernão Mendes Pinto e São Francisco Xavier. Fazem uma comemoração que replica a caminhada do desembarque até à localidade», explica Emílio Torrão.
Quanto à estátua original, continua no seu local de origem, o Museu Municipal Peregrinações, um espaço museológico que ainda está em fase de testes, mas que já se revela um sucesso. Já teve, de acordo com Emílio Torrão, 1.700 visitantes, dos quais 900 em visita guiada, desde a sua abertura, em julho deste ano.«É um Museu que ainda está em testes e ainda nem teve divulgação», comenta, destacando igualmente o Avatar de Fernão Mendes Pinto, que também esteve em Osaka, e que se revela um extraordinário sucesso. «Até fala em japonês, além de outras línguas», diz ainda, frisando que a figura de Fernão Mendes Pinto, muito acarinhada noutros países, do Japão aos Países Baixos ou Itália, tem sido desvalorizada pelos portugueses.
«A sua obra “Peregrinação” é o livro português mais traduzido no mundo e os portugueses nunca deram a devida importância a Fernão Mendes Pinto», frisa, convicto que o explorador terá o seu reconhecimento pelos portugueses. Montemor, de resto, tem feito esse caminho, recentemente com o Museu Municipal Peregrinações, mais lá atrás com um conjunto escultórico de grandes dimensões inaugurado numa das entradas da vila.












