
Barreto Leite homenageado pela Misericórdia de Arganil
Falecido em março do corrente ano, Manuel Barreto de Almeida Leite foi homenageado, a título póstumo, pela Santa Casa da Misericórdia de Arganil. O nome do médico ficou perpetuado no Hospital de Beneficência Condessa das Canas, um dos hospitais onde exerceu a sua atividade, com o descerramento de uma placa biográfica.
«Era uma parte do coração da vila de Arganil, onde acolhia pacientes, não apenas de Arganil, mas de Góis, Pampilhosa da Serra, Oliveira do Hospital, Tábua e Seia», afirmou Nuno Gomes, diretor geral da Misericórdia de Arganil, sugerindo que a sua memória deveria ser também perpetuada na zona que «tanto viu receber doentes».
O dirigente aproveitou para informar que o referido hospital entrará em funcionamento no próximo ano e que um dos serviços que irá prestar será o de Cuidados Paliativos.
Sugerindo a execução de «um memorial em frente ao seu consultório», António Carvalhais, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Arganil, salientou que Barreto Leite foi «um profundo humanista, que amava a terra e trabalhava-a e que amava o ser humano, os seus doentes».
«As crianças não tinham medo daquele médico, brincavam com ele, adoravam-no», tanto que «faziam desenhos e ele colocava-os na parede», acrescentou ainda.
«As pessoas vinham de longe às suas consultas porque traziam a convicção de que iam curadas», recordou ainda, explicando que com o descerramento da placa se pretende «fazer permanecer a memória dele no futuro», permitindo «daqui a 50, 100 anos, contar a história de quem foi Manuel Barreto Leite», um médico que «prestou serviço, muitas das vezes, gratuitamente e trazia o medicamento na mão» para curar os doentes.
Revelando que foi seu paciente, António Sérgio Martins referiu que Barreto Leite foi «um cidadão exemplar». «Foi num tempo difícil que viveu e, por isso, se tornou uma pessoa forte, excecional, não só na comunidade que servia diretamente, mas também nas comunidades circundantes», afirmou o presidente do Secretariado Regional de Coimbra da União das Misericórdias Portuguesas, salientando que as misericórdias «não podiam ficar alheias» a esta homenagem, testemunhando, «na primeira pessoa», a gratidão «pela sua dádiva e entrega».
O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Manuel Teixeira Veríssimo, recordou que Barreto Leite «tinha um compromisso científico com as pessoas, mas tinha um compromisso humanista, que é a outra parte muito importante de ser médico». «Ao longo dos anos, cada vez se tem valorizado mais a parte científica e se tem desvalorizado a parte da arte, da relação com os doentes», lamentou, afirmando que o homenageado foi «um, de entre outros e muitos que ainda existem, que cultivam essa parte da arte».
A sessão de homenagem terminou com a intervenção de João Barreto Leite, em representação da família.
«Para nós foi um pai, irmão, avô e bisavô dedicado», que também «dedicou a sua vida como médico, conselheiro e amigo». «Durante mais de 60 anos, o nosso pai dedicou-se à medicina e a sua sabedoria, experiência e preocupação em acompanhar a evolução da medicina conquistou a confiança de quem o procurava», sublinhou, dando a conhecer que «não era por acaso que dedicava uma hora dos seus dias, depois de passear os seus cães, a atualizar o seu conhecimento, antes de abrir a porta do seu consultório».
Todavia, enfatizou, «foi a sua visão humanista, empatia e generosidade rara que marcou todos os que com ele se cruzaram».
O evento terminou com um concerto da Associação Filarmónica de Arganil, tendo contando ainda, durante a sessão, com a leitura de um texto por Marta Mendes, de autoria de Rita Andrade Correia, sobre o médico, enquanto se visualizava um vídeo sobre o próprio, bem como, um momento musical a cargo de Marta Mendes e Tiago Mateus.
Médico, diretor clínico, dirigente e professor
A homenagem aconteceu no dia maior da Feira do Mont’Alto tendo em conta que foi por esta altura, em setembro de 1963, que o homenageado começou a trabalhar no Hospital de Beneficência Condessa das Canas, onde foi também diretor clínico, entre 1971 e 1975.
Além disso, acrescentou Nuno Gomes, diretor geral da Misericórdia de Arganil, Barreto Leite «foi dirigente da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Arganil e assumiu o cargo de procurador, sendo provedor o professor José Dias Coimbra», além de que «trabalhou no Hospital Monteiro Bastos, em Góis, foi presidente da Câmara Municipal de Góis, presidente do Lions Clube de Arganil e professor de Higiene na Escola Secundária de Arganil»












