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Estórias do cerco de Lisboa (1384)

Setembro 3, 2025 . 11:58
"Lisboa salvara-se por milagre (a peste não entrara na cidade!) e festejou em grande, mas a decisão da Crise estava apenas adiada" | Texto de opinião de João Gouveia Monteiro

Um dos episódios mais espetaculares da Crise de 1383-1385 (de que comemoramos os 640 anos) é o cerco de D. Juan I de Castela a Lisboa, entre maio e setembro de 1384. A operação foi descrita c. 1440 por Fernão Lopes, na I Parte da «Crónica de D. João I».

O rei de Castela, casado com Beatriz, a filha única de D. Fernando e D. Leonor Teles, invadira Portugal em resposta ao assassinato do conde Andeiro pelo Mestre de Avis e aos protestos pela aclamação de Beatriz em algumas cidades. Já ninguém pensava em respeitar o tratado assinado em Salvaterra de Magos em abril de 1383, ainda Fernando era vivo. A questão sucessória ia ser decidida pela astúcia política e pela força das armas.

Lisboa tinha c. 30.000 habitantes e imensos refugiados. Vinham dos lugares vizinhos, em especial entre Santarém (que tinha voz por Juan e Beatriz) e Lisboa. O Mestre de Avis comandava a resistência, ciente de que se Lisboa caísse a sua causa estaria perdida. E não seria fácil aguentar, pois na cintura de Lisboa apenas Almada o apoiava, ao contrário de Alenquer, Torres Vedras e outras praças.

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