
Vivem debaixo do viaduto e dizem não ter para onde ir
São cinco as pessoas que vivem há largos meses, nalguns casos há mais de um ano, debaixo do viaduto na Casa do Sal, no parque de estacionamento ali existente.
Ontem, elementos dos serviços sociais da autarquia de Coimbra visitaram os “moradores” dando-lhe indicação para saírem do local. Todavia, e em conversa com o Diário de Coimbra, os residentes no parque dizem que vivem na rua «porque não há outra solução». Sérgio Santos, um jovem que viu ser-lhe amputada uma perna e que, sem trabalho, deixou a casa, disse ao Diário de Coimbra que só quer «um sítio digno para viver» como já teve outrora. O mesmo sucede com José Jesus Leitão, natural da Covilhã e que, com 70 anos, padece de diversas doenças. «Nunca foi proposta uma habitação com as condições necessárias» para viver, queixa-se, apontando como condições necessárias «não partilhar algumas divisões» uma vez que tem o sistema imunitário em baixo.
Alexandre Martins também desejava ter um local para viver com dignidade. «Se fosse possível vivia no parque de campismo», afirmou.
Ali, onde atualmente residem, estão expostos ao calor e ao frio, vivem dentro do carro ou de uma tenda, não têm condições dignas. No caso concreto de um outro morador daquele espaço, disse (com notória dificuldade) que apenas queria um local onde pudesse ter as botijas para o oxigénio que precisa, diariamente, para viver.
Ainda segundo relataram, as opções de apoio que têm sido apresentadas por diversas instituições «não são satisfatórias e muitas vezes são apenas temporárias». Todos querem ter condições condignas para poderem sair dali. Algo que dizem que «até ao momento não foi apresentado».
Acrescentaram ainda que têm de sair durante a manhã de hoje mas que não têm para onde ir.
Autarquia afirmou ter apresentado soluções
O Diário de Coimbra contactou o município de Coimbra que, em resposta por escrito, esclareceu que «relativamente à situação de pessoas em condição de sem-abrigo que se encontram a pernoitar no parque da Casa do Sal, gerido pelos SMTUC», durante o giro diurno de ontem «foi possível abordar duas pessoas que pernoitam em viaturas estacionadas, tendo ambas as pessoas sido abordadas».
«Uma das pessoas em situação de sem-abrigo é acompanhada pelo NPISA/C, através da Associação Integrar. É beneficiária de pensão de velhice e tem morada registada em Cantanhede. No que respeita ao alojamento, foram várias as tentativas de integração em respostas de acolhimento, nomeadamente em Apartamentos Partilhados, programa Housing First, e no Centro de Acolhimento de Emergência Noturno, tendo a pessoa recusado sistematicamente todos os encaminhamentos. Refira-se ainda que tem sido igualmente encaminhada, por diversas vezes, para respostas de apoio alimentar (almoço e jantar), recusando também esse tipo de apoio».
Também ontem, durante a abordagem efetuada «foram novamente apresentadas opções de alojamento e de apoio alimentar, que a pessoa voltou a recusar». O outro indivíduo que ali reside, com residência na União de Freguesias de Antuzede e Vil de Matos,« é acompanhada pelo Centro de Apoio Social de Souselas, no âmbito do Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social. Também a esta pessoa foram hoje (ontem) apresentadas possibilidades de alojamento e de apoio alimentar, tendo igualmente recusado qualquer encaminhamento»












