Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Aecoimbra 20260528
Pub Dc Rfm Somnii 20260527
Legua Dc
Pub

Chantagem sexual rende mais de 100 mil euros

Cidadão de Coimbra caiu numa sofisticada “teia” de chantagem iniciada com pedido de amizade

A Polícia Judiciária deteve, no final de agosto, uma rede criminosa dedicada à extorsão e chantagem sobre homens que se expunham sexualmente na Internet. Vítima de Coimbra pagou dezenas de milhares de euros, mais de 150 mil, acreditando que estava a falar com magistrados angolanos.
Como afirmou a Diretoria do Centro da PJ, aquando da divulgação de sete detenções, o ambiente digital não é seguro. Para reforçar o alerta e o conhecimento da comunidade sobre a forma como atua quem tem intenções criminosas, o Diário de Coimbra foi um pouco mais fundo nesta atividade de “sextortion”, concretizada com extorsão na sequência de chantagem de divulgação de imagens íntimas ou de cariz sexual.
No caso da vítima de Coimbra, pessoa com formação e vida estável, tudo começou com a aceitação de um pedido de amizade no “Facebook”. O perfil falso mostrava uma jovem mulher. Estabelecida a amizade, foram desenvolvidas conversas pelo Messenger, com sedução crescente até a vítima enviar fotos de cariz sexual. Ato contínuo, surge na conversa a “mãe” da suposta mulher, a afirmar que a jovem é menor de idade e que teve conhecimento de atividade inapropriada, dando como certo o encaminhamento do assunto para advogado e autoridades competentes. Não sem, de permeio, garantir à vítima que os seus amigos e família saberão que é um pedófilo.
A resposta do homem, com pedido de desculpa e a revelar receio, levou ao reforço de ameaças de justiça e de divulgação de fotografias comprometedoras. A encenação evoluiu depois: a “mãe” diz sentir-se mal, com problemas de saúde devido ao episódio com a “filha”. Nesse mesmo dia, do mês de janeiro deste ano, entra em cena uma “irmã” da “mãe”, conhecedora do caso com a sobrinha. Afirma que a “mãe” da jovem, devido ao sucedido, foi parar ao hospital em estado crítico e exige um contacto telefónico para números com indicativo de Angola que seriam de uma unidade policial (a PJ tinha indicado que usavam números de uma nação dos PALOP, mas os autores estiveram sempre em Portugal).
A vítima acede ao telefonema, que poderia ser por chamada normal ou por WhatsApp, e começa outro capítulo: fala com um “comandante” e depois com um suposto “juiz”, que lhe dá instruções para resolver o problema com indemnização à família da “jovem”. A cada conversa ou mensagem, deixa transparecer fragilidades, que iriam ser exploradas pelos autores da chantagem.

Nove transferências
em apenas 15 dias
Na primeira vez é-lhe indicado que faça duas transferências bancárias, no valor de cinco mil euros cada. A vítima acaba por contrair um primeiro empréstimo bancário (outros se seguiriam) para proceder ao pagamento de apenas uma “entrada” de um plano de pagamentos para solução do processo. A vítima, sempre com reverência e sem desconfiar de nada, vai pedindo ao “juiz” ajuda para resolver a questão. Nos últimos 15 dias de janeiro procede a nove transferências de cinco mil euros, para os Números de Identificação Bancária que lhe são indicados pelo “juiz” e para diferentes destinatários. Em fevereiro sucedem-se as transferências, ainda com a vítima a desdobrar-se em agradecimentos ao “doutor juiz”, até ficar sem verbas disponíveis para as constantes exigências.
No enredo, o suposto “magistrado” remete a vítima para um “juiz” superior, que seria do Ministério da Justiça da República de Angola. O processo prossegue com transferências e o “comandante” inicial contacta a vítima para saber se as coisas estão a ficar resolvidas. No entretanto, a vítima recebe, quando ainda procedia a transferências, um alegado documento do “juiz superior”, com declaração de que o caso que dera entrada no departamento de justiça estava a ser resolvido, com uma indemnização à família de 400 mil euros, dos quais estavam pagos 100 mil, ficando o “arguido” encarregue de pagar os restantes 300 mil. Após pagamento total tudo ficaria resolvido.|

Setembro 2, 2025 . 12:04

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right