
Sardinha na telha e batata na areia projetam Festival da Praia da Tocha
A 9.ª edição do Festival da Sardinha Assada na Telha e da Batata Assada na Areia ficará, sem sombra para dúvidas, gravada na memória dos Moradores da Praia da Tocha pela elevada afluência de visitantes. Os que participaram pela primeira vez tiveram conhecimento desta iniciativa pela comunicação social e pelas redes sociais e não pensaram duas vezes em juntarem-se a este festival gastronómico vindos muitos deles de Lisboa e do Porto, conta ao nosso jornal Hélder Gonçalves.
Na hora do almoço de ontem, os membros, sócios e amigos da Associação de Moradores da Tocha (entidade organizadora) não tinham mãos a medir para dar resposta a todos quantos queriam apreciar as saborosas sardinhas e batatas típicas desta zona da Gândara. E enquanto uns aguardavam por um lugar sentado, outros davam por terminada a refeição, visivelmente satisfeitos não só pelas iguarias servidas, mas também pelo agradável ambiente de convívio entre todos os participantes.

Foi isso mesmo que os “Pereiras” partilharam com o Diário de Coimbra. Sentados à mesa onde a sardinha era, naturalmente, rainha (não só no prato, mas também na toalha que a ornamentava), três dos elementos desta família, emigrantes no Canadá há várias décadas, não podiam estar mais felizes com o desafio dos primos (já a residir em Portugal, mais precisamente em Paredes do Bairro, Anadia, e que já conheciam este festival) para um programa de domingo diferente.
«Estamos a adorar pelo convívio harmonioso e pela comida muito tradicional», afirmam, justificando logo de seguida que o facto de estarem longe das suas origens há cerca de 60 anos faz com que apreciem ainda mais momentos como este, vividos em família.
Família essa que acabou por abrir lugar à mesa a mais dois elementos, desta feita um casal oriundo da Figueira da Foz que regressou ao festival atraído pelas suas iguarias típicas.
«A sardinha é muito boa», garantiram, em uníssono.
São todas estas as razões que contribuíram para a grande afluência nos três dias do festival, sempre em crescendo: cerca de 220 no jantar de sexta e cerca de 300 no sábado, também ao jantar, com o domingo a «extrapolar todas as expectativas», com perto de 500 comensais.

Recriar as práticas antigas ligadas à arte xávega e celebrar as tradições gastronómicas é o que está na génese deste festival que começou por juntar pessoas da região da Gândara, nomeadamente com o recordar de uma prática que remonta à época em que os pescadores de arte xávega regressavam do mar para almoçar e confecionavam os seus alimentos no areal, literalmente.
«Acendiam uma fogueira para aquecer a areia, depois abriam um buraco no meio para as batatas com pele, tapavam e voltavam a acender a fogueira para assar», explica Hélder Gonçalves, recordando que esta era também uma prática comum entre os agricultores da zona, tendo ele próprio presenciado, quando criança, o assar da batata na areia.










