
Nova sala valorizou coleção de arte chinesa de Camilo Pessanha
O Museu Machado de Castro abriu no dia 28 de maio de 1937 um novo espaço para exibir aos visitantes parte da centena e meia de peças de arte chinesa que Camilo Pessanha, nascido em Coimbra a 7 de setembro de 1867, reuniu durante quase três décadas em Macau, onde viveu até 1 de março de 1926, data do seu falecimento.
O espólio do museu de Coimbra foi ampliado em 1928 com a coleção oriental, uma parte (57 peças) doada na morte do poeta e jurista e a outra que o Museu Nacional de Arte Antiga havia recusado.
Inaugurada em 1932, a sala destinada à doação do autor de “Clepsydra” ganharia cinco anos depois melhores condições de visitação.
«Pela primeira vez aparece reunida, em ambiente próprio, e em condições de poder ser estudada e admirada em conjunto, a magnífica coleção de porcelanas, bronzes e pinturas recolhidas pelo benemérito sinólogo e ilustre poeta Camilo de Almeida Pessanha, durante os longos anos que permaneceu em Macau», publicou o Diário de Coimbra na edição de 29 de maio de 1937.
A notícia dava conta de que «parte dos objectos que constituem essa coleção, legados ao Museu Machado de Castro pelo próprio organizador, depois de o Museu de Arte Antiga se ter escusado pelo carácter geral do seu conteúdo a recebê-la, estiveram já expostos em condições museológicas deficientes, numa galeria do antigo Paço Episcopal, entaipada para efeitos de aproveitamento, e figuraram antes no pavilhão português da Exposição de Sevilha, em 1929».
«Só agora, porém, mercê das obras de beneficiação das instalações do museu realizadas por ordem do Ministério das Obras Públicas, foi possível, devido ao alteamento de um andar no corpo anexo à Igreja de S. João de Almedina, colocar em lugar próprio e reservado todas as peças, inclusive as pinturas, cuja colocação exigia muros amplos e secos. Essas pinturas constituirão verdadeira revelação, em especial para os artistas, pois sendo vulgares no nosso país as porcelanas orientais, são muito raras as representações picturais. Junto das peças recolhidas amorosamente pelo poeta, vê-se, como justa homenagem, o seu retrato», descreveu o jornal.
Esta sala manteve-se até 1952 e hoje parte da coleção de arte chinesa de Camilo Pessanha pode ser vista no Museu do Oriente, em Lisboa.

Devolver aos jogadores “a sua melhor forma”
22/4/1937 A abrir a secção “Vida Desportiva” do Diário de Coimbra de 22 de abril de 1937 lia-se que um médico inglês descobrira um processo para «fazer regressar os jogadores em decadência à sua melhor forma».
«Os atletas que sentem as pernas a enfraquecer, o fôlego a atraiçoá-los, nos quais o peso dos anos começa, em suma, a manifestar-se, vão dentro em breve poder regressar à sua melhor forma. De posse dos músculos da juventude e da experiência e da prática da sua longa permanência nos “grounds”, serão adversários perigosíssimos», considerava o autor do artigo.
O texto indicava que três futebolistas ingleses, «que começaram a dar sinais de fadiga física», tinham sido submetidos ao «misterioso tratamento».
«Baixando às reservas, depois de na I Divisão terem alcançado a mais retumbante popularidade, voltaram agora ao primeiro “team”, graças à milagrosa terapêutica a que foram submetidos, revelando nos jogos já efetuados uma forma surpreendente», adiantava, concretizando que um deles, «célebre na Europa inteira», era Alex James, «a maior revelação do foot-ball escocês e, por certo, um dos maiores, se não o maior, jogador do mundo», que se encontrava «em franco declínio». «Submetido ao surpreendente tratamento, o prestigitador da bola redonda reapareceu na primeira categoria e deixou surpreendidos os milhares de espectadores que o viram jogar», acrescentava.
O “milagre”, segundo o redator da notícia, ocorreu «no laboratório de um médico de Londres que se dedica à terapêutica da mocidade, injetando nos doentes um líquido extraído das glândulas endócrinas». «A princípio ensaiou a sua descoberta em cães e cavalos e os resultados foram verdadeiramente surpreendentes. Trata-se agora de tentar a experiência em Golden Miller, o melhor corredor inglês em pistas de cavalos. Miller já não tomou parte nas três últimas provas, tendo também deixado de correr no Grande National, depois do seu último fracasso», escreveu.
Tendo o médico alcançado «extraordinária popularidade», dizia-se que se propusera «a um clube de terceira classe fazê-lo subir dentro em pouco à I Divisão». «Para tal exige um contrato de cinco anos, fornecendo os produtos terapêuticos e aceitando a coadjuvação de um outro médico. Por agora, o médico londrino apenas cobra pequenos honorários. De futuro receberá uma percentagem na transferência dos jogadores», rematava o artigo.

Uma “gincana de burros” na Queima das Fitas
15/4/1937 Uma «original gincana de burros» foi novidade na Queima das Fitas de Coimbra de 1937. O programa anunciado à imprensa pela comissão central dos «fulgurantes festejos académicos», que teriam lugar de 22 a 28 de maio, agendara para a tarde do último dia um número diferente, que prometia «causar sensação», ao colocar os concorrentes, exclusivamente quartanistas, perante «dificílimos obstáculos». «Cada quartanista escolherá para “parceira” um colega que terá de se apresentar em trajo feminino», informou o jornal de 15 de abril, adiantando que as listas de inscrição, já com «numerosos nomes», encontravam-se no gabinete da comissão central, pagando cada concorrente 5$00 no acto da inscrição na prova, cuja organização estaria a cargo dos quartanistas António Águas Cruz e Ruy Bento Pessoa.
Na edição de 29 de maio, ao dar nota do último dia da festa académica, o Diário de Coimbra publicou que o Parque da Cidade acolheu um animado convívio estudantil, com a “Ginkana de Burros” a ser disputada por várias equipas «no meio de franca gargalhada e inúmeras peripécias». O par “Chiquito e Paquita”, montando o burro “34 e meio e 69”, venceu ao cumprir «todo o percurso sem faltas», valendo-lhe o 1.º prémio duas garrafas de espumante. O 2.º lugar, para “Jesuira e Pirata”, no burro “Borges e Nobreza”, deu direito a garrafas de cerveja, enquanto os restantes concorrentes levaram como prémio de consolação uma posta de bacalhau assado e azeitonas.













