
“A cultura continua a ser atrativa em Coimbra, só é preciso saber aproveitar”
Mais um ano, mais uma edição de Festival Les Siestes promovido pela Fundação Bissaya Barreto. É já um festival “identitário” do ADN cultural de Coimbra, e assim se espera durante muitos anos. Em conversa com o Diário de Coimbra, Maria Marques, programadora cultural da fundação, revela alguns detalhes sobre o festival que começa hoje, no Jardim da Sereia.
«É uma aposta que tem sempre retorno para a cidade e para a própria fundação. A cultura às vezes é difícil, mas não é porque não há interesse», começa por revelar a responsável. Apesar da falta de apoio à cultura, um “mal nacional”, Maria indica que continua a haver um grande interesse por parte da população e que, no início, foi mesmo isso que motivou a adoção desta festa por Coimbra. «Na altura não havia muito espaço para a música alternativa, que no princípio até era mais eletrónica do que alternativa. Conseguimos trazer o Les Siestes para cá porque os nossos interesses alinhavam-se, e assim continuam».
A oferta de um espaço único para artistas diferenciados (pode conferir no programa ao lado) é um dos grandes atrativos para o público conimbricense. «A curadoria passa por nós e pelos nossos “colegas” de França [país de onde origina o festival]. Existe um conjunto de artistas e nós escolhemos os que se enquadram mais e temos tido uma resposta muito positiva» explica, mencionando ainda que existe sempre o desejo de crescer, atraindo público «da periferia e, talvez, internacionais, como os próprios turistas».
Ainda mencionando os artistas que visitam a cidade para atuar, os mesmos têm-se revelado «felizes» com o quão calmo se apresenta o festival. «Os artistas são sempre surpreendidos pela calma do espaço, talvez por ser em jardins ou pelo público, mas todos ficam muito felizes por participar e por fazer esta viagem. Como bons portugueses, nós tentamos sempre receber bem, e acho que fazemos um bom trabalho», conta.
“A pausa durante a pandemia revelou-nos muito, principalmente que estávamos a fazer um bom trabalho”
Para a programadora, mesmo com um crescimento visível no interesse pela cultura e por uma oferta distinta, ainda «faltam espaços que apostem na música alternativa», o que acaba por “beneficiar” este festival. «Temos a oportunidade de preencher algumas “lacunas”, estes espaços que não são tão bem aproveitados e que não são de todo comerciais, ou seja, não é a mesma coisa que “vender” um concerto pop no Convento São Francisco, por exemplo. Este é um tipo de espetáculo mais “underground” e para nós faz todo o sentido oferecer esta oportunidade».
Apesar do sucesso do festival, a responsável refere que existem algumas dificuldades, principalmente no que toca ao financiamento. «Acho que o primeiro desafio da cultura é sempre o mesmo, o financiamento. São investimentos muito grandes e até ao ano passado a Fundação fez sempre essa aposta sozinha. Este ano, a Câmara Municipal de Coimbra coorganizou o evento e isso é uma “revelação” de que estamos a fazer um bom trabalho, de que esta aposta deu frutos e que podemos atingir um número ainda maior de pessoas».
O Les Siestes, como Maria Marques recorda, foi um “sobrevivente” da pandemia, sendo que em 2020 e 2021 não se realizou, porém, acabou por regressar. «Foi um feedback muito positivo na altura da pandemia porque o público perguntava se se ia realizar e queriam saber quando regressávamos. Sentimos que estávamos a fazer alguma coisa bem».
Programa:
Hoje - 29 de agosto:
- 18h00 - Son Objet
- 19h30 - Vanessa Bedoret
- 20h30 - Amuleto Apotropaico
- 21h30 - Takkak Takkak
- 22h30 - Beatrice M
Amanhã - 30 de agosto:
- 18h00 - I’A’V
- 19h00 - Harry Gorski-Brown
- 20h00 - Rat Section
- 21h00 - Loto Retina
- 22h00 - Zohar
“After” na Oficina Municipal de Teatro (Amanhã):
- 01h00 - David Rodrigues
- 02H30 - Dawn Dani
- 04H00 – XCI











