A quem servem as cinzas do Verão?
O céu apresenta-se sujo e com zonas de diferente opacidade, como se não o deixassem viver os dias claros e radiosos desta época do ano.
O cheiro áspero e a chão queimado não nos larga. E nós, que procuramos fugir às rotinas quotidianas, ficamos ansiosos e com receio das chamas que devastam o país de lés-a-lés, sobretudo nos territórios interiores, envelhecidos e com pouca gente.
Os jornais trazem, insistentemente, para as suas primeiras páginas as imagens de destruição e de desolação decorrentes dos incêndios florestais e das outras guerras que flagelam o Mundo a que os novos meios de comunicação encurtaram as distâncias.
Logo, são-nos quase tão próximos os incêndios que ameaçaram o Piódão, o parque nacional da Peneda-Gerês e as aldeias históricas portuguesas ou a vaga de fogos que, em Ourense e no noroeste espanhol (como nunca se verificou na Galiza), dizimaram povoações, as colheitas agrícolas, as alfaias e as memórias dos que se recusam a abandonar as suas terras.
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