
Homenagem dos UHF ao povo ucraniano em concerto acústico
Volvidas quase cinco décadas desde a sua formação, os UHF continuam a ser um dos nomes incontornáveis do rock em Portugal. O que dizer de “O Lugar do Rock” no atual panorama musical nacional?
Somos um exemplo de coerência, haja o que houver. Foi no continente musical do rock and rol, com palavra portuguesa, que nascemos, crescemos e nos afirmámos. Temos público, que agora até canta alguns solos em uníssonos vocais, o que nos deixa perplexos e encantados. Fazemos a diferença perante tanta normalização.
Como descreve a evolução da banda e qual o segredo da sua longevidade?
A evolução acontece quando não dormimos à sombra dos sucessos, quando colocamos exigências para continuar. Repare, os UHF são o único artista/grupo português que, passada a pandemia, tem editado dois discos por ano. A isto chama-se vontade e exigência de fazer mais.
Em todos estes anos, houve algum momento que tenha marcado de forma decisiva o rumo dos UHF?
Houve situações internas que podiam ter fechado a porta. Pensei, nesses momentos, mudar de vida – sei fazer outras coisas! Mas depois, perante uma audiência interessada, algo renascia, é aquele momento em que o coração vence a razão.

“O Lugar do Rock” é o nome do vosso mais recente álbum. Que mensagem pretendem transmitir e o que é que esteve na génese deste trabalho?
Estamos a falar para os nossos, os fãs que elevaram canções à condição de hinos. Este disco vinca a revolução musical que há 45 anos a canção “Cavalos de Corrida” trouxe à música portuguesa, quando de habilidosos passámos a profissionais e as editoras descobriram uma indústria.
O que é que continua a motivar-vos a compor e a tocar ao vivo?
Comunicar com quem nos queira ouvir, é isso, só isso. Descobrir um enredo, palavra e música, que me motive, enquanto autor, é a minha grande felicidade, ver nascer uma nova canção que nos motive.
Amanhã, 24 de agosto, vão estar em Coimbra para um concerto solidário pela Ucrânia. Sentem que este é também um papel que devem ter na sociedade, de alerta e de apoio a causas?
Desde sempre. Aprendi com os grandes trovadores, que foram primeiro designados como ‘baladeiros’ (no tempo da ditadura), proibidos de editar e cantar ao vivo, com discos apreendidos pela censura, e depois do golpe de Estado de 1974, rebaptizados de músicos de intervenção. A nossa tradição musical medieval também ajudou. Ser útil faz bem à alma.
Além dos temas lançados este ano, que outros poderão ser ouvidos este domingo e quais os que têm de fazer sempre parte do vosso reportório? O icónico single “Cavalos de Corrida” é um deles?
É um concerto acústico, uma homenagem ao povo ucraniano, que as notícias têm puxado para uma posição secundária. O repertório será adequado à celebração. Cantar, vibrar em harmonia, esclarece as mentes.
Depois de mais de 20 álbuns tocados em mais de 1.900 palcos, sentem que não há “Nada a Perder” e que “Não há medo que resista”?
É uma, não, duas boas deixas para aquilo que já revelei sobre o meu conceito de utilidade cultural.
A Concentração Motard em Buarcos, Figueira da Foz, a 19 de setembro, será a próxima paragem da digressão de 2025 “Cromados & Limalha” na zona Centro?
Sim, para a zona centro. Mas até lá ainda vamos andar a rolar por aí.
“O Coração da Ucrânia" bate em Coimbra este domingo
O concerto dos UHF irá acontecer pelas 18h30, sendo um dos pontos altos da 2.ª edição de “O Coração da Ucrânia em Coimbra”, evento que visa celebrar a sua independência, declarada a 24 de agosto de 1991. Porém, volvidos 34 anos, e face ao conflito que decorre na Ucrânia desde 2022, depois da invasão da tropas russas, Olga Filipova defende que «a independência não é gratuita» pelo que o objetivo é«celebrar mas também lembrar quem está a lutar» pela liberdade do povo ucraniano. Este domingo será, assim, um dia de enaltecer a gastronomia, a arte, a união e a solidariedade, com a programação a ter início pelas 11h00 prolongando-se até às 22h30, no Mercado Municipal D. Pedro V.
Estão previstas atividades diversas, das quais se destaca a zona infantil (das 11h00 as 18h00), com insufláveis, glitter tattoos e balões. De referir ainda a realização dos workshops de Quilling (técnica criativa) com Olha Odynska, e de ditados populares em ucraniano e em português, ambos às 11h00; e à tarde, o chef oriundo de Kyiv, Oleksandr Ogorodnik, vai demonstrar como se prepara o Banosh, prato tradicional das montanhas dos Cárpatos.
Através de experiências de realidade virtual, os visitantes podem também explorar Chornobyl e visitar os museus ucranianos. Zona de tatuagens, de venda de artesanato e sabores típicos ucranianos para degustar, como cerveja e gastronomia diversa, são outros motivos para participar e contribuir para o fundo de apoio à Ucrânia e à Associação VeraCausa. A entrada é gratuita.











