
Caroço de azeitona transformado em creme de limpeza inovador
Da azeitona nasce o azeite, obrigatório em qualquer mesa portuguesa. Mas o caroço pouca utilidade teria. Até agora. Isto porque passou a ser o ingrediente fundamental de um novo produto de limpeza.
Um fruto pródigo da tecnologia e de uma aliança entre uma marca de referência, Oliveira da Serra, e uma empresa inovadora, a EcoX, de Coimbra. O resultado é o Creme de Limpeza Oliva EcoX, um produto 100% natural que promove a economia circular.
Trata-se de um «produto “upcycling” único no mercado», referem os parceiros do projeto, em comunicado, salientando que através da «tecnologia inovadora da EcoX – projeto singular a nível mundial que produz detergentes a partir do óleo alimentar usado – e do poder abrasivo do caroço de azeitona» foi possível criar este novo creme de limpeza.
Um produto que valoriza o caroço da azeitona, num registo em que “nada se perde e tudo se transforma”, e que permite «substituir os microplásticos» que habitualmente são utilizados nos produtos de limpeza.
«Esta parceria é um exemplo perfeito de como a inovação pode andar de mãos dadas com a sustentabilidade. Partindo de dois resíduos, o óleo alimentar usado e o caroço da azeitona, desenvolvemos um produto útil, ecológico e acessível ao consumidor», afirma César Figueiredo, CEO e fundador da EcoX, citado no comunicado.
«A colaboração com a EcoX permite-nos explorar uma nova forma de aproveitamento do caroço de azeitona, através de uma abordagem inovadora e responsável. Já valorizámos este subproduto noutros contextos e, agora, conseguimos dar-lhe uma utilização que chega diretamente ao consumidor, com impacto prático no seu dia a dia», afirma Ana Schedel, senior band manager da Oliveira da Serra.
A responsável enaltece, ainda, a «relação de confiança» e a «vontade comum» dos dois parceiros em «fazer mais com os recursos que já temos».

Parceria é “exemplo perfeito de como a inovação pode andar de mãos dadas com a sustentabilidade”
O novo produto de limpeza é produzido com microesferas de caroços de azeitona e constitui «um boost” à economia circular, garantindo uma limpeza e higienização eficazes de qualquer superfície e utensílios presentes nas casas portuguesas», adianta a nota de imprensa.
Recorde-se que a EcoX desenvolveu uma tecnologia única, «patenteada na Universidade de Coimbra», que permite transformar óleo alimentar usado em produtos de higiene e limpeza.
A empresa avançou para a comercialização dos produtos em 2021, apresentando «um conceito e uma embalagem diferenciadora» e a marca tem vindo a crescer em média 20% ao ano.
Tem mais de 100 produtos desenvolvidos e garantiu a recuperação de «mais de 500 toneladas de óleo usado», num processo que envolve «cidadãos, escolas e empresas locais num modelo de economia circular que educa, protege os recursos hídricos e reduz o desperdício», refere o documento.
De salientar que a EcoX, uma “start-up” alojada na Universidade de Coimbra que tem vindo a crescer e a consolidar--se, é um dos finalistas dos Prémios Regiostars 2025, promovidos pela Comissão Europeia para distinguir projetos financiados por fundos europeus, «demonstradores de excelência e de novas abordagens no âmbito do desenvolvimento regional».
Os vencedores serão anunciados a 5 de outubro, em Bruxelas, durante a Semana Europeia das Regiões e dos Municípios.
A Oliveira da Serra é a marca portuguesa de azeites «mais premiada no mundo», contando com «mais de 700 distinções de qualidade nacionais e internacionais». Com 65 anos de história, lidera o mercado nacional de azeite há 14 anos consecutivos. Foi a primeira marca nacional a receber o certificado de reciclabilidade da RecyClass.|










