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Mudança de “ares” não parece ajudar a Feira das Cebolas a “recuperar a força”

É um marco assente na Praça do Comércio há 37 anos, porém a sua 38.ª edição foi “deslocada”. Com uma nova localização, o Terreiro da Erva, as vendas baixaram nos primeiros momentos e os ceboleiros “rezam” por melhores dias

Para quem passa na Rua da Sofia é quase uma surpresa entender que, ali ao lado, decorre um evento “tradicional” na cidade. A Feira das Cebolas tem, este ano, a sua 38.ª edição, que foi mobilizada para o Terreiro da Erva, deslocalizando-a da já habitual Praça do Comércio.
Fernando Lopes, um dos responsáveis do Grupo Folclórico dos Camponeses de Vila Nova, indica que apesar dos apoios por parte da Câmara Municipal de Coimbra, da Junta de Freguesia de Cernache e da União de Freguesias de Coimbra, é preciso clientes para manter a feira. «Temos recursos limitados e um dos nossos maiores financiamentos é a parte gastronómica, que aumentámos para dar mais escolhas ao público... Que teima em não aparecer. Os ceboleiros, atualmente, já são poucos e a continuar desta forma é complicado», explica.
Este ano são apenas três ceboleiros que trabalham ali na venda da cebola, um desafio que, naturalmente e seguindo as tendências dos últimos anos, já é regular. «Tem vindo a diminuir o número de vendedores, principalmente em agosto. Os que não estão de férias gostam de se preparar para outras feiras, maiores, como a de Montemor-o-Velho», conta o responsável.
Através de um conjunto de diversas parcerias, conseguem manter as suas atividades «relativamente estáveis», mas não é o suficiente para garantir a continuidade. «Precisamos de vender para angariar fundos, e isso ainda não aconteceu co­mo nós queríamos. Esperamos que até sábado as coisas mudem», afirma.
Com uma opinião muito crítica, António Matias é um dos ceboleiros que ainda participa no evento. «Já aqui estou há quatro ou cinco anos e este é o pior ano, até agora» revela. A edição, em coincidência com o “Verão a Dois Tempos”, outro evento cultural em Coimbra, divide o público para dois locais, sendo que um é «muito publicitado» e o outro, «quase nada». «Todos os anos tínhamos clientes porque estávamos numa zona de passagem, ou seja, mesmo quem não conhecia o evento acabava por ouvir a música ou ver as bancas e vinham. Aqui estamos numa zona mais fresca, é verdade, mas talvez menos atrativa», analisa o vendedor.
Sem falhar uma única edição, Ramiro Barradas é totalista da Feira das Cebolas e admite que está a ser a «pior edição» em termos de público. «Inicialmente íamos para o Parque Verde, mas depois mudou-se de ideias por questões logísticas, que entendemos perfeitamente», menciona, referindo ainda que «é difícil manter este grupo no ativo, há muitos custos associados e sem vender a nossa gastronomia, não conseguimos continuar neste evento».
A Feira das Cebolas continua até sábado, 23 de agosto, e promete trazer vários eventos culturais como música e atuações de grupos folclóricos. A organização deixa o apelo: «visitem e venham conhecer-nos, não se vão arrepender.

 

Programa de hoje da Feira das Cebolas

 

Hoje, dia 18, celebra-se no evento o Dia da Freguesia de Cernache com várias atuações. Às 20h00 atua o Rancho Típico de Vila Nova de Cernache, seguido do Rancho Folclórico e Etnográfico Moleirinhas de Casconha, às 20h30. O Grupo de Cavaquinhos Cantares à Solta (escola de música da JFC) toma o palco às 21h00, depois a Marcha Popular da Freguesia de Cernache “Marcharte” e fecha a noite o Grupo de Concertinas “Sons de Casconha”.

 

Agosto 18, 2025 . 08:15

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