
Montra de artesanato enriquece “gentes” e turismo de Coimbra
São já várias as semanas que o projeto Montra das Artes e Ofícios leva, mas em todas as suas “aparições” é sempre um ponto de atração na Baixa da cidade.
Com um conjunto de expositores de excelência, cheios de produtos trabalhados à mão, o artesanato continua a ser uma peça fulcral e atrativa para a população.
Sob algum calor e ainda antes da hora de almoço, são centenas as pessoas que passeiam pela Praça 8 de Maio, pela Rua Visconde da Luz e pela Rua Ferreira Borges, em busca de algo “diferente”. Por um lado, os conimbricenses já sabem o que podem esperar.
Conta-nos Maria da Luz, uma senhora de 57 anos, que já está habituada a este «alvoroço». «Isto [a Montra] já vem com turistas atrás nos últimos tempos.
Estamos em agosto, com as pessoas de férias, mas isto na Baixa não para», diz, adiantando, «eu venho aqui comprar algumas prendas e, às vezes, coisas para a casa. Desta vez acho que não tenho sorte, não estou a ver “a peça”, sabe?". Sem sorte, admite «ir almoçar» e talvez regressar mais tarde.
Com outro “destino” estão Rodrygo e Maya, dois madrilenos que visitam Portugal pela primeira vez. «Somos apaixonados pela literatura e já vimos algumas peças ligadas à literatura portuguesa, talvez acabemos por levar alguma coisa». Na verdade, já passeavam com uma sacola de Coimbra, que referem ter arranjado «junto da Universidade», o que prova um pouco do seu interesse pela cidade.
Montra variada
Com a arte a ser, talvez, o ofício mais representado, Teresa Castro conta ao Diário de Coimbra um pouco do seu dia a dia junto ao início do acesso ao Quebra-Costas.
«Aqui vou fazendo umas peças mais pequenas, mais simples, que não se estragam tão facilmente».
Neste caso, miniaturas da Rainha Santa Isabel, mas a sua “banca” enche-se de cores vivas entre figuras de Santo António, Frida Kahlo, Nazarenas e outros «figurinos» históricos e populares. «Neste caso estou a usar um barro branco, mas noutras figuras utilizo barro vermelho.
Têm funções diferentes e uso tintas e formas de as trabalhar diferentes.
Um facto curioso é que estas cores que aqui estão [nas peças terminadas] não são assim quando aplicadas».
Apontando para uma das peças, explica que após irem ao forno «a 900° ou 1000° graus», a tinta vermelha é branca antes do forno, e o verde é azul claro, particularidades únicas das tintas que utiliza.
No seu caso muitas das figuras são para venda, mas nem todas. «Sou “ajuntadora” de Santo Antónios. Não sou colecionadora, mas gosto muito de os juntar. Às vezes faço alguns e não consigo vendê-los, tenho de ficar com eles».
Quase na outra ponta da “feira” encontramos António Gonçalves, um jovem ilustrador que se «aproxima dos clientes» através de vários pontos.
«O meu trabalho é muito focado em figuras portuguesas às quais gosto de dar um toque humorístico, e as pessoas recebem-nas muito bem». Para demonstrar ao público o seu talento, faz retratos livres «próximos de caricaturas» de quem se quiser sentar consigo.
«É uma maneira de mostrar o artista e provar o seu trabalho, gosto muito deste tipo de aproximação» explica, bastante feliz, o ilustrador.












