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Tradição e devoção leva população à rua para ver o Círio passar

A procissão faz parte de uma tradição que envolve toda a comunidade de Ribeira de Frades, que recebeu o Círio com festa. A pé, a cavalo, de bicicleta, moto ou trator foram muitos os que participaram no cortejo de ontem

Uns por devoção e outros por tradição, saíram ontem de manhã à rua para acompanhar a passagem do Círio, no trajeto desde a Igreja de Santa Cruz, no coração da Baixa, até à Ribeira de Frades.

Mais uma vez, quem por ali passou percebeu rapidamente que o momento era de celebração. Na rua, a azáfama era grande com ciclistas e motociclistas a posicionarem-se para integrar o cortejo, ali na Corujeira, e seguir rumo até ao momento em que o Círio é entregue. Em família, Matilde voltou a fazer o percurso de bicicleta, tal como no ano passado, em que se juntou ao cortejo para honrar esta tradição.

Maria Duarte também fez questão de ali estar a aguardar pela passagem do estandarte e tocar-lhe, numa devoção que não sabe explicar mas que nunca deixou e quer deixar de cumprir. Mesmo ao lado, Teresa Santos repetia que «esta tradição não pode acabar» e que este ano estava tudo muito lindo.

Num dia em que os fogos na região não deram tréguas aos bombeiros e às populações de vários concelhos, houve ainda quem tivesse aproveitado o momento de passagem da Nossa Senhora para pedir por todos e para acabar com este flagelo.

O som das ferraduras dos cavalos da GNR, que este ano voltaram a abrir (e abrilhantar) o cortejo, anunciava que o Círio se aproximava. Todos os que ali estavam foram-se posicionando para o poder beijar e/ou para registar o momento e estavam, por isso, de telemóvel em punho.

Uma comissão constituída apenas por jovens organizou as Festas de Nossa Senhora da Nazaré 2025 que hoje terminam

A música que até ali ecoava bem alto deixou de se ouvir, sendo abafada pe­lo ruído das motos e pelo “bater” dos cascos dos cavalos no asfalto.

Pelo meio, para quem quisesse, havia bolo de Ançã ali a ser vendido, cerveja, gelados e outras iguarias que não podem faltar em dias de festa.

Chegado ao local previsto, o Círio andou de rosto em rosto para ser tocado e/o beijado por todos os que, por devoção ou tradição, lhe quiseram tocar. Depois seguiu a imagem de Nossa Senhora para a Igreja da Ribeira de Frades com a “promessa” que para o ano ali voltará a passar.

No jipe engalanado para levar o estandarte, seguiam ain­da o autarca Jorge Veloso e o pároco da freguesia que, visivelmente satisfeitos, assistiam a mais uma edição de cortejo a ser cumprida.

Jorge Veloso, presidente da União de Freguesias de São Martinho e Ribeira de Frades, e que enquanto autarca participou no cortejo, realçou a elevada participação de pessoas. «O cortejo tem muitas pessoas, umas a aguardar a passagem, outras a acompanhar de moto, de bicicleta ou ainda a cavalo», afirmou. Num ano em que se retomou a presença da GNR a cavalo, o que deu ainda mais brilho a esta iniciativa, o autarca realçou que esta participação «tem custos elevados», mas que a comissão de festas, «composta apenas por jovens», está de parabéns «pelo trabalho realizado». Se no ano passado as coisas não correram tão bem (a um mês das festas a igreja e a junta é que se tiveram que organizar), este ano desde cedo que tudo fico certo. E bem certo. «Um grupo de jovens fantástico para trabalhar reuniu-se, fez um trabalho extraordinário e cheio de dinamismo», frisou Jorge Veloso.

Terminada a veneração ao Círio, o cortejo seguiu o caminho e lentamente o percurso foi sendo realizado, com os tratores engalanados e em festa, com muita música, alguma bebida e comida.

As festas em honra de Nossa Senhora da Nazaré chegam hoje ao fim com a música a fechar com chave de ouro estes dias de alegria.

Agosto 16, 2025 . 08:00

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