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“Não era daquela forma que ia ficar mais rica”

Com uma atitude de elevada moralidade, Eugénia Marques encontrou e escolheu devolver os 50 mil euros

Uma história caricata passou ontem pelos nossos leitores quando se revelou que, durante o serviço, uma funcionária de limpeza do Convento São Francisco teria encontrado e devolvido um saco repleto de peças de ouro aos seus donos. O Diário de Coimbra entrou em contacto com Eugénia Marques, a “heroína” que fez o achado, para perceber o que a fez tomar essa decisão.

Após uma pequena conversa, foi claro que a funcionária sabe que fez o correto. Da mesma forma que nos conta que nunca lhe passou pela cabeça fazê-lo de outra forma. «Não era daquela forma que ia ficar mais rica», reflete Eugénia Marques.

Na realidade, explica, inicialmente não sabia o que tinha encontrado. «Admito que, no início fiquei muito chateada. Pensei que tinham deixado um saco do lixo abandonado e que era mais trabalho», conta. Mesmo assim, sentiu «uma coisa» e acabou por se dirigir ao local e deparou-se com a realidade. «Estava ali em cima da caixa de areia e eu decidi ir ver o que era. Quando percebi, chamei logo o meu colega [segurança do Convento] a partir daí ficou nas mãos de outras pessoas».

De facto, Eugénia Marques entregou o saco ao seu colega que acabou por se dirigir aos diretores do Convento São Francisco (segundo explicado ao Diário de Coimbra) e daí foi apenas uma questão de tempo até se encontrem os donos.

«Foi uma questão de horas entre o casal se ir embora e encontrarmos o ouro. Acabaram por ter sorte», menciona a funcionária, que apenas trabalha na limpeza do Convento em part-time. «Pelo que sei, a senhora acabou por ficar no carro enquanto o marido subiu ao primeiro andar. Devem ter-se distraído por já terem alguma idade e acabaram por deixar o saco. Talvez se fosse outra pessoa tinham acabado por ficar sem ele» indica.

Eugénia Marques defende que a honestidade e cidadania devem sempre ser mantidas

Em análise, já após o sucedido, relembra que pensou em duas alternativas: «ou perderam ou é mesmo roubado». Independentemente de ambas, a escolha seria sempre a mesma. «Devolveria sempre, não foi assim que eu cresci», refere.

Ainda a recuperar da emoção sentida, conta que a recompensa recebida já foi suficiente. «Tive a oportunidade de estar com a filha do casal, a Sra. Inês, e ela deu-me um grande abraço. Foi difícil esconder as lágrimas, mas deixou-me muito feliz». O encontro também deu luz sobre o quão especial era o conteúdo daquele saco. «As peças pertencem à família há vários anos, são dos avós da Inês, talvez mais antigas ainda», revela.

Segundo explicado ontem ao nosso Jornal, e contrariamente ao que foi avançado na edição de ontem, o casal de idosos que perdeu o ouro é, efetivamente, morador da cidade. Ao que foi possível apurar, têm também um estabelecimento próprio na avenida João das Regras, cujo nome não foi identificado.

Agosto 15, 2025 . 09:53

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