
Cumpre-se a tradição em Luso com a Feira do Mel e do Pão até domingo
De hoje até domingo, a vila termal de Luso recebe a Feira do Mel e do Pão, na Alameda do Casino, onde estarão oito apicultores de vários concelhos da região das Beiras, num certame que inclui ainda artesanato e muita animação. Durante quatro dias, os visitantes têm a oportunidade de experimentar o pão e o mel produzidos pelos produtores locais, bem como outros produtos regionais, como queijos, vinhos e doces. A inauguração acontece esta quinta-feira, pelas 15h00. «Os visitantes têm a oportunidade de experimentar não só o bom pão e o bom mel como também outras iguarias, nomeadamente, doces e licores», apela a organização, que acrescenta que, no que toca ao pão «procura-se preservar a incentivar a produção tradicional, com farinhas e fermentos, e recurso ao forno a lenha».
Longe vão os tempos em que se vendiam «1200 quilos de mel, 300 pães, 50 broas e 40 bolos de mel» num só evento, conforme noticiou um jornal local em 2003. De qualquer das formas, a Feira é um marco desde 1983, altura em que um grupo de amigos e produtores locais de mel decidiu organizar um evento onde pudesse promover os seus produtos. Não tinha data fixa, nem se realizava anualmente, só o espaço era sempre o mesmo: junto à Fonte de São João em Luso.
Em 1999, o «encontro» passa a denominar-se com o nome que ainda hoje tem, realiza-se em maio e em parceria com o GEDEPA; em 2001 a parceria é feita com o Grupo Folclórico «As Tricanas» e realiza-se em setembro, sendo que é nesse ano que nasce a Associação de Apicultores do Litoral do Centro (a 16 de novembro com onze apicultores). A partir de 2002 a feira realiza-se sempre em agosto e, desde 2004, que é levada a cabo somente pela AALC. Desde a sua criação, o certame contou sempre com o apoio do Município da Mealhada, da Junta de Luso, da Sociedade da Água de Luso, entre outras entidades.
Em 2025, cumpre-se a 25.ª edição da Feira do Mel e do Pão. «Agora vendo, habitualmente, 150 kg de mel, mas, no passado, cheguei a escoar 600 kg», disse, ao nosso jornal, Vitor Cruz, de Luso, um dos fundadores da Associação e elemento do grupo dos primórdios que iniciou a feira nos anos oitenta. «Hoje ainda acontece muitas pessoas virem aqui só para comprar mel, mas a Feira reinventou-se e temos muitos outros produtos como sabonetes, rebuçados, batom, geleia real e creme de mãos», continua o produtor.
Inauguração da Feira do Mel e do Pão está marcada para hoje, às 15h00 na Alameda do Casino

«Há um decréscimo no consumo e os apicultores têm de arranjar outras alternativas para que o negócio se mantenha, nomeadamente com a aguardente e o licor de mel», explica também Rui Barrocas, do Pego, outro dos fundadores da Associação e da Feira, que garante que a grande premissa da Feira é «apanhar» sempre o feriado de 15 de agosto: «É quando os emigrantes estão cá e dão muito valor em levar este mel para os países onde estão».
E se em outras alturas, o certame chegou a ter perto de duas dezenas de produtores, em 2025 terá oito oriundos de Coimbra, Penacova, Cantanhede, Águeda e Luso.
Licínia Ferreira, da Lendiosa, está neste evento, com o pão, desde 2012. «As feiras de antigamente eram muito boas. Estacionavam muitos autocarros e vendia-se muito porque vinham ranchos de longe que traziam muita gente. Depois com a pandemia notou-se uma grande quebra, muito devido ao aumento do preço das farinhas e dos ovos que levou também à subida do produto final», diz, explicando que só faz pão com «massa mãe», amassa à mão e em forno a lenha. «Só produzo o meu pão depois de apanhar casca de eucalipto e pauzinhos para colocar no forno a lenha», desvenda, garantindo que também é muito procurada pelo bolo de mel. «Estou a ensinar as minhas filhas e neta a cozer até porque é tradição estarmos aqui, todos os anos, nesta feira», diz.
Desde a pandemia que a animação da Feira está a cargo da programação de verão da vila termal promovida pelo Município da Mealhada. Assim, a inauguração dá-se a 14 de agosto, pelas 15h00 com término às 22h00; e no dia seguinte, a feira acontece das 10h00 às 22h00, com a atuação de Rui Tanoeiro prevista para as 21h30, no Palco da Alameda.
No sábado, 16 de agosto, o horário será também das 10h00 às 22h00, com Hangover Band às 21h30. No domingo, o certame volta a realizar-se no mesmo período, com a realização das «Manhãs Ativas» às 11h00 na Fonte de São João; e uma tarde de folclore, a partir das 17h00, no Palco da Alameda.












