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Detido por tentar matar vizinho com bloco de 16 quilos

Morador do primeiro andar terá esperado pela saída de casa do vizinho para lhe tirar tijolo de cimento de uma altura de quatro metros. Vítima foi em estado grave para o hospital

Os episódios de desacatos seriam constantes, não apenas com o vizinho de baixo, mas até com quem passava na rua. Mas na terça-feira à tarde, um indivíduo que reside no primeiro andar de uma moradia na Rua Dr. José Carlos Pereira de Almeida, em Miranda do Corvo, terá ido mais longe e partido para a agressão física em relação ao vizinho de baixo. Esperou que Osvaldo Afonso saísse de casa para lhe atirar com um tijolo que lhe acertou na cabeça e o deixou inanimado no chão. Foi detido pela Polícia Judiciária no mesmo dia à noite.

Segundo fonte da Diretoria do Centro da Polícia Judiciária, o agressor foi detido pela «presumível prática de um crime de homicídio, qualificado, na forma tentada». «De uma altura de cerca de quatro metros, o arguido, que reside em andar superior, atingiu a vítima com um bloco de cimento, com cerca de 16 quilos, quando este se encontrava a sair de casa, atingindo-o na zona da cabeça, o que fez com que caísse inanimado», esclarece, em comunicado, a PJ, referindo que arguido e ofendido, respetivamente com 60 e 55 anos, «mantém uma relação conflituosa há vários anos, com recorrentes episódios de violência verbal e de ameaças à integridade física».

Aos Bombeiros Voluntários de Miranda do Corvo chegou o alerta, às 16h31 de terça-feira, para uma situação de queda com traumatismo crânio-encefálico. Fernando Jorge, comandante da corporação, confirma a deslocação de uma ambulância com dois operacionais e a VMER, ao local onde os bombeiros encontraram a vítima no chão, em estado grave, que transportaram para os Hospitais da Universidade de Coimbra. «Posteriormente, o CODU classificou a ocorrência como agressão, mas inicialmente foi dada como queda», explicou o comandante, frisando que o traumatismo da vítima podia ter sido provocado por qualquer uma das causas: queda ou agressão.

Mas na verdade foi agressão e, de acordo com a PJ, terá sido a esposa da vítima quem deu o alerta, ao chegar a casa. «Deparou-se com o marido caído no chão, inconsciente, e com ferimentos, sangrantes, na região da cabeça, tendo ligado, de imediato, para a emergência médica, que lhe prestou os primeiros socorros e o transportou para uma unidade hospitalar, em estado grave», diz a PJ.

Ação planeada

Vizinhos do agressor e do agredido falam de episódios recorrentes de desacatos dos moradores do primeiro andar, dois irmãos e mãe já idosa. «Fazem imenso barulho, chamam nomes às pessoas que passam na rua, a mim inclusivamente», conta uma vizinha, admitindo que haverá na família problemas de saúde mental que conduzem a estes episódios de forma recorrente. Adverte, contudo, que até terça-feira, nunca viu violência física. Fonte da PJ também refere que esta terá sido a primeira vez que as ameaças passaram a agressão física, estando em causa uma «pessoa com personalidade conflituosa, mesmo com os outros vizinhos». Segundo a mesma fonte da polícia, apesar de poder estar em causa algum problema do foro mental, a verdade é que o arguido «teve a frieza de se munir de um bloco, ir para o varandim da casa e esperar pela saída do vizinho para lhe atirar com o bloco, ou seja, planeou a ação».

Um primo da vítima confirma a situação relatada pela vizinha, referindo, inclusivamente, que já foi morador naquela casa e também ele sofreu com situações de «barulho e confusão», até durante a noite, que o impediam de dormir. Conta também que na terça-feira, ao saber da agressão através de telefonema do filho da vítima, se deslocou à casa onde viu «o bloco e sangue no chão».

Segundo a PJ, a vítima permanecia ontem internada na unidade hospitalar, mas fora de perigo. O arguido, sem antecedentes criminais, trabalhador da construção civil, foi ontem presente a tribunal, ficando em prisão preventiva.

Agosto 8, 2025 . 10:20

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