Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Aecoimbra 20260528
Pub Dc Rfm Somnii 20260527
Legua Dc
Pub

Vigilância no rio Mondego é uma necessidade

Saltos da ponte, travessia do rio e banhos junto à margem são recorrentes e não há qualquer resposta de apoio ou prevenção. Alerta veio de alguns populares depois de terem assistido ao afogamento de um jovem no passado domingo, que acabou por falecer ontem já no hospital

«Era importante ter ali um vigilante». O alerta é de Vítor Hugo Resende Pinto, que na tarde de domingo também tomou banho no rio, saltou da ponte pedonal e teve um papel ativo no socorro a um dos jovens, resgatando-o para a margem. «Vi os seis jovens a saltarem da ponte e numa fração de segundos começaram a pedir socorro», contou ontem ao Diário de Coimbra.

Pelos gestos, com os braços no ar e a gritarem por socorro, Vítor Pinto percebeu que «estavam em aflição». Na altura encontrava-se debaixo da pon­te e imediatamente se atirou à água, mergulhou e nadou para o local. Juntamente com um amigo, Ricardo, «conseguimos apanhar o primeiro e retirá-lo para a berma». «O outro, foi o primeiro a ir ao fundo», contou.

Em causa está o jovem de 22 anos, resgatado pelos mergulhadores dos Bombeiros Sapadores de Coimbra, depois de 25 minutos submerso nas águas do Mondego. Os meios de socorro, como ontem noticiámos, conseguiram retirar o jovem de uma zona com 2,5 metros de profundidades. Estava em paragem cardiorrespiratória, situação que foi revertida no local e a vítima transportada para os Hospitais da Universidade de Coimbra, em situação crítica, mas acabou por falecer no dia de ontem, confirmou fonte hospitalar ao nosso jornal. 

Só depois de acalmar, é que Vítor e Ricardo o conseguiram levar, em segurança, para a margem

Vítor Pinto já foi várias vezes ao rio, embora apenas há dois meses tenha fixado residência em Coimbra. Tem 37 anos, é de São João da Madeira, e assume-se como um bom nadador, com bastante experiência. Inclusivamente, já ajudou a salvar vidas, no mar e no rio. Domingo foi um dos protagonistas do resgate dos jovens que se aventuraram no Mondego. Uma tarefa não isenta de riscos, pois, em situação de aflição, as pessoas não ajudam.

«Tentou puxar-me para baixo», contou, lembrando a aflição do jovem, que se agarrava a si à procura de uma “boia de salvação”. Só depois de acalmar, é que Vítor e Ricardo o conseguiram levar, em segurança, para a margem, onde os restantes quatro jovens, com pouco mais de 20 anos, conseguiram regressar pelos seus próprios meios.

Do incidente registado ao final da tarde de domingo, Vítor Pinto ficou com duas convicções. Por um lado, os jovens «mal sabiam nadar», o que representa um risco enorme, só comparável ao desejo de um banho refrescante ditado pelas elevadas temperaturas que se têm feito sentir. Por outro, a necessidade de «ter ali um vigilante», alguém «atento e que evite que as pessoas saltem da ponte para a água».

«Ali não é uma zona para banhos, nem para saltar, mas tem de haver uma proteção», sublinha uma das pessoas que salvou um dos jovens de se afogar

«Ali não é uma zona para banhos, nem para saltar, mas tem de haver uma proteção», sublinha, lembrando que se no meio do rio, debaixo da ponte praticamente há um “banco de areia”, na zona das margens a água é bastante profunda.

«As pessoas podem ter a tentação de saltar da ponte», diz, alertando para a necessidade de evitar que isso aconteça. Lembra, de resto, que nem existe qualquer aviso que diga ser “Proibido Saltar”.

A vigilância do local permitiria evitar riscos desnecessários de banhistas mais afoitos, mas também prestar socorro a qualquer outra situação, designadamente com as pequenas embarcações que cirandam pelo rio.

«Uma canoa pode virar-se», diz ainda, sublinhando a necessidade de um «socorro rápido», que responda a outra tipo de eventualidades, como «a queda inadvertida de uma criança à água». Vigilância também importante “em ter­ra”, pois quer na relva, quer nos passadiços, é frequente haver «vidros e garrafas partidas», resultantes da «falta de civismo das pessoas», que também importa combater. 

Agosto 5, 2025 . 08:00

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right