
“Quero que Coimbra seja o palco e o mundo a plateia”
Diário de Coimbra - Hoje começa o Rocketmen com mudanças em relação ao conceito do que era o Luna Fest. Que mudanças são essas?
Tito Santana - Eu sou da Baixa, sou cá de Coimbra. A ideia de fazer [o evento] num espaço aberto ao público, já era uma ideia basilar há muitos anos. Queríamos fazer um evento muito ao nível do que se faz em Espanha, ou “beber” muito do que se faz no AgitÁgueda.
São eventos gratuitos, transversais a várias gerações e que abrangem um público muito grande.
E inicialmente, ou era na Sereia, ou até se pôs, inicialmente, ser na Praça do Comércio, ou seja, era para levar o rock a todo o lado, essa era a ideia: o rock ser um abraço enorme à comunidade.
Aqui na Sereia não há uma série de problemas que tínhamos lá em baixo. Tem uma estrutura natural que já nos suprime uma despesa enorme, porque já tem um anfiteatro natural, tem uma beleza natural enorme, o que também nos “desobriga” de uma certa decoração e de uma outra logística nessa ordem. A mudança entre o Luna Fest e o que agora estamos a fazer… Houve aqui uma série de problemas de ordem estética, de ordem visual, diferenças conceptuais. O Vitor Silveira tinha uma ideia, eu tenho outra, então decidimos cada um dar azo, ou fruto, à sua imaginação.
Eu cedi a este trâmite, “Rocketmen”. O nome transporta-nos para os anos 80. Foi muito inspirado na ideia do Elton John e David Bowie, naquele glam rock, muito cheio de brilho e de cor, e a ideia veio daí. Dentro do universo que se espera, acho que o nome aborda as várias nuances musicais que a gente quer ir buscar, acho que o nome consegue abraçá-las todas.
Já começaram, em julho, com uma vasta oferta cultural. O que é que motivou esta abrangência?
A ideia do festival, e não só do festival, sempre foi esta, logo quando começamos com o Pinga Amor em 2015, ter eventos que possam albergar aquilo que eu acho que é a criatividade em Coimbra, ou as artes cénicas, ou fazer um festival muito plural. Porque temos uma série de pessoas cheias de valências, desde a fotografia, da pintura, algumas associações... A ideia foi fazermos aqui uma comunhão coletiva entre associações, que nos permitisse a cada um experimentar um bocadinho o seu desígnio. Porque umas são mais focadas para uma coisa, outras para outra.
Infelizmente, na minha ótica, muitas vezes [as associações] andam de costas voltadas e a ideia foi, “não, há muito potencial em Coimbra”. Para mim há potencial enorme a todos os níveis, e a ideia foi fazer um festival que tivesse uma série de abrangências culturais, em que se pudesse ir buscar o melhor de cada um e depois, um “clímax” dos eventos, o Rocketmen.
Como é que se chega a este processo de curadoria? Revelou recentemente que ainda existem algumas dívidas a ser pagas, como é que esta situação influencia a festa?
Começando aqui pela curadoria. O dinheiro faz todo o espetáculo. Porque com muito dinheiro tem-se um espetáculo de uma qualidade, com pouco dinheiro tens um de outra. As próprias infraestruturas e oferta ao público é muito maior em proporção do fluxo de caixa que a organização, ou seja, associação-empresa, tiver.
Não ter uma grande frescura financeira, não quer dizer que não se possa fazer uma curadoria de qualidade. A nossa assenta, e vai sempre assentar, dentro da linha do Rock N' Roll. Eu acho é que o Rock N' Roll tem muitos espectros. Tem o soul, tem o funk, tem o garage, tem o indie, tem o new wave, tem o pop, tem uma série de “aberturas”. A curadoria para mim não pode ser feita de uma maneira que reflita apenas o gosto pessoal.
Eu acho, ainda, que num festival tem que abraçar ali três gerações. Porque a geração nova é a geração do futuro, a geração presente, que vai e que conhece os dois lados e a geração mais velha que também tem todo o direito de participar. E às vezes parece-me que há um diferendo entre desprezar uma ou outra.
Festival começa hoje, a partir das 18h00, no Jardim da Sereia que será, até sábado, o palco de várias bandas de rock nacionais e internacionais
Programa:
Hoje
- 18h00 – Asfixia Social
- 19h00 – Kate Clover
- 21h30 – Arsenal Mikebe Feat HHY
- 22h45 – Marta Ren
- 00h30 – Landrose
Amanhã
- 18h00 – The Darts
- 19h00 – 999
- 21h30 – Mão Morta
- 22h45 – Biznaga
- 00h30 – Taxi
Domingo
- 18h00 - Hassan K
- 19h00 – Dr. Sure’s Unusual Pratice
- 21h30 – The Boys
- 22h45 – Bad Nerves
- 00h30 - Maquina
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