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Descobrir “Almalaguês” a partir de um espetáculo-caminhada

São os próprios residentes que, sob a direção da coreógrafa Aldara Bizarro, apresentam a história e as tradições de Almalaguês e convidam os espectadores a repensar o futuro da aldeia que fica a 15 minutos de Coimbra.

Fim de tarde de um dia de ensaio no Centro Paroquial de Almalaguês. Um grupo de três a quatro residentes na aldeia, às portas de Coimbra, foi o primeiro a chegar para o ensaio das 18h30. Maria de Lurdes Paiva, Ângela Fonseca, Daniela Paiva e a jovem Sofia Rosado começaram por se envolver nos ritmos de uma dança de roda do Rancho Folclórico As Tecedeiras de Almalaguês.
O objetivo é preparar “Quelha-me com jeitinho”, um dos momentos que integra a nova criação do Teatrão com a comunidade, “Almalaguês”, sob direção de Aldara Bizarro e que vai estrear já amanhã.

O Diário de Coimbra acompanhou um desses momentos do ensaio para perceber como é que a comunidade se envolve numa produção teatral, com os próprios residentes a vestir a pele de atores.

 

Idalina Rosa
Idalina Rosa é uma das residentes que aceitou o desafio

É Aldara Bizarro, a coreógrafa de Lisboa convidada pelo Teatrão, para dirigir esta obra que nos fala do seu «fascínio por Almalaguês, uma aldeia às portas de Coimbra que ainda mantém características tão rurais». Foi depois de um «trabalho de casa», uma espécie de mapeamento cultural da freguesia, que se deu origem ao projeto. De resto, foi também uma ligação com o tecido associativo local que permitiu mobilizar a comunidade para fazer parte do espetáculo e da restante programação paralela.

De volta ao ensaio, Aldara vai marcando o ritmo e explica às «atrizes» o que pretende delas. Este momento apenas serve de exemplo sobre o que se está a preparar. Tendo em conta que se trata de um espetáculo-caminhada, que tem início no Largo da Igreja e se estende pela Rua Principal, Aldara Bizarro explica que, em cada quelha, acontece «um momento de interação com o público, feito ao compasso das gaitas-de-foles, das danças de roda do rancho ou de outras vivências individuais ou coletivas da comunidade».

"Faço parte do Grupo Folclórico e Etnográfico As Tecedeiras de Almalaguês e aceitei o desafio porque gosto muito de artes", disse uma das participantes

E a participação da comunidade reveste-se de «um esforço coletivo e muita disponibilidade para o associativismo».

Um desses exemplos é o de Maria de Lurdes Paiva, que trabalha em Coimbra e que reserva grande parte do seu tempo livre para participar nos ensaios e nas atividades paralelas deste projeto. «Faço parte do Grupo Folclórico e Etnográfico As Tecedeiras de Almalaguês e aceitei o desafio porque gosto muito de artes».

Já a Sofia Rosado, uma jovem de 18 anos, confessou que ficou «muito curiosa sobre o que seria este projeto. E a participação permite conhecer mais pessoas».

Maria de Lurdes junta-se a Sofia, à Ângela e à Daniela e «ensaiam» a dança de roda, percebem o que têm de explicar ao público, conhecem o momento de interagir com o público e, só mesmo na estreia, isto é, amanhã é que se vai conhecer exatamente o que vai acontecer, a partir das 19h30.

Almalaguês Ensaio 16 Julho ©paulo Abrantes 19

E à medida que se vão realizando os ensaios, que se prolongaram por sete semanas, outros elementos da comunidade e do Teatrão dedicam-se a um trabalho de bastidores. Idalina Rosa, por exemplo, vai sensibilizando a população para o espetáculo e para o seu significado, referindo que «entre as suas preocupações está a valorização da nossa tapeçaria, tal como o respeito pelo traço urbanístico da nossa aldeia».

Estreia marcada para sexta-feira

O espetáculo “Almalaguês", com uma duração de cerca de hora e meia, estreia-se amanhã, às 19h30, contando ainda com duas outras sessões nos dias 26 e 27, à mesma hora.

Será uma «caminhada» que permite uma viagem às memórias do elenco comunitário, constituído por 28 elementos que apresentam a riqueza do território, mas que procura também alertar «para o futuro deste lugar único».

Julho 24, 2025 . 09:30

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