
São Tomé garante festa e romaria em Ançã
São quatro dias de festa, onde os valores da tradição caminham a par e passo com um arrojado programa de animação. Falamos da Festa e Romaria de São Tomé que amanhã começa em Ançã e constitui um momento áureo da freguesia. A atestar o caráter identitário dos festejos está a recente inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Um reconhecimento do valor cultural do evento que marca a agenda das festividades.
Com efeito, amanhã, assiste-se, no Largo da Capela de S. Bento, ao descerramento da placa evocativa desse momento marcante e à noite há uma conferência onde se pretende esclarecer o significado da inscrição. Ainda no largo da capela, epicentro das festividades, assiste-se a outro gesto simbólico, com a entrega da bandeira ao juiz da festa, cerimónia acompanhada pelo grupo de gaiteiros e pela Phylarmonica Ançanense. A população junta-se à comitiva, rumo à casa do juiz, onde é a bandeira é hasteada e servida a “piqueta”, uma refeição ligeira, constituída por peras, bolachas e Bolo de Ançã, dando início às festividades.
"O importante é que as festas se realizem e não se perca esta tradição"
Festas cuja preparação começou há um ano, com a Avança – Associação para o Desenvolvimento da Qualidade de Vida do Meio Rural de Ançã a assumir-se como juiz da festa. «Não é habitual, mas já aconteceu», explica o presidente da coletividade, João Parreiral, que reconhece algumas dificuldades para um juiz individual, como manda a tradição, tendo em conta as exigências da organização e, inclusive, em termos económicos.
«O importante é que as festas se realizem e não se perca esta tradição», diz, satisfeito pela inscrição no Inventário Nacional. «E o reconhecimento do cariz cultural das festas», diz, ciente de que se não for uma pessoa a «pegar na bandeira», sinal do compromisso em organizar a festa, certamente uma associação «o irá fazer», garantindo que a festa continua para o ano.
Uma festa com identidade própria, «diferente de todas as outras da região», diz o juiz. Diferença que se faz sentir sobretudo nas cerimónias de sexta-feira, com uma forte carga religiosa, com as cavalhadas, o cortejo alegórico e a bênção do gado. Com efeito, depois da missa, na Capela de S. Bento (9h00), o juiz leva a bandeira da sua casa para a capela, num cortejo que integra vários cavaleiros, montados em cavalos e burros. No largo da capela juntam-se os rebanhos, que serão benzidos pelo padre Manuel de Jesus, depois de cumprirem três voltas ao templo.
Também sexta-feira realiza-se o cortejo alegórico (17h00), com a crítica social a conjugar-se com as tradições. João Parreiral diz que a participação é sempre significativa, mas igualmente uma incógnita, pois são os moradores e coletividades que criam o seu carro. De toda a região vêm os cavalos, burros e rebanhos. O cortejo alegórico termina junto à capela, onde cavalos e burros dão sucessivas voltas ao templo à espera que o novo juiz recolha a bandeira, assumindo a realização da próxima festa.










