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Chuva de pétalas e aplausos acompanha Santa Rainha até “casa”

Procissão Solene de Regresso da Rainha Santa Isabel atraiu milhares de pessoas entre a Praça 8 de Maio e o Convento Santa Clara-a-Nova. Festas assinalaram o 400.º aniversário da canonização e 700 anos da peregrinação da padroeira da cidade de Coimbra a Santiago de Compostela

Os milhares de pessoas que assistiram à Procissão Solene do Regresso de Rainha Santa Isabel, efetuado entre a Praça 8 de Maio e o Convento de Santa Clara-a-Nova, mostraram a força da devoção à padroeira de Coimbra, que ontem regressou a “casa” acompanhada de uma enorme chuva de pétalas e aplausos.

As festas de Santa Isabel voltaram, este ano, a sair às ruas de Coimbra, excecionalmente, para assinalar o 400.º aniversário da canonização e 700 anos da peregrinação da rainha portuguesa a Santiago de Compostela. Primeiro, com a Procissão da Penitência que decorreu na passada quinta-feira, e ontem no regresso da imagem ao Convento de Santa Clara-a-Nova.

«Vamos ter uma celebração especial, apesar de ser um ano ímpar, porque estamos a evocar os 400 anos da canonização da Rainha Santa», explicara Joaquim Costa e Nora, presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel, a propósito destes dois momentos evocativos do “amor” de Coimbra à sua padroeira.

Muitos dos fiéis que acompanharam a procissão marcaram presença porque queriam ver “in loco” a imagem da Rainha Santa Isabel, já outros vinham de vários pontos do concelho de Coimbra, e do país, para cumprir promessas.

"É uma diplomata da paz. E é essa luz que nós precisamos hoje em dia"

Emília Gouveia foi muito clara sobre a razão da sua presença junto da Igreja de Santa Cruz, na Praça 8 de Maio. «A Rainha Santa para mim diz-me tudo. Estou presente sempre que posso. E este ano é especial porque sendo “ímpar” não costuma haver procissão, mas mesmo assim a cidade respondeu e vieram milhares de pessoas assistir à procissão», adiantou à reportagem do Diário de Coimbra. «Na quinta-feira fiz a procissão da Rainha Santa do Convento Santa Clara até aqui (Praça 8 de Maio) e foi algo que me surpreendeu pela positiva», sublinhou Emília Gouveia.

Da Pampilhosa da Serra, com o objetivo de ver a Santa Rainha, viajaram Lurdes e Jorge Antunes, dois fervorosos devotos de toda a obra da padroeira de Coimbra. «Uma grande mulher. Uma mulher que para a altura era muito culta, porque sabia o que fazia e o que dizia», referiu Lurdes Antunes, acrescentando que «todas pessoas deveriam assistir à procissão».

«A Rainha Santa Isabel vem--nos visitar, está lá do outro lado do rio, vem à nossa cidade e merece que seja recebida como uma verdadeira rainha», frisaram Lurdes e Jorge Antunes. A procissão de domingo, segundo o casal, «tem sempre menos pessoas que a de quinta-feira», todavia, ambos se mostraram surpreendidos pelo número de crentes que se encontravam na Praça 8 de Maio.

«É uma diplomata da paz. E é essa luz que nós precisamos hoje em dia. E acho que devemos, como devotos que somos da Rainha Santa, estar aqui. Precisamos da luz que ela irradiou na época e que hoje mais do que nunca é precisa para o mundo. Acho, aliás, que foi a mensagem deixada pelo padre Manuel Carvalheiro na procissão de quinta-feira, um discurso brilhante e muito incisivo, sem ser muito ostensivo, mas tocou em todos os pontos-chaves que a sociedade hoje precisa atualmente», finalizou, mostrando o desejo de ter o discurso que, segundo a própria, «até já o solicitou».

Bispo de Coimbra presidiu à homilia na Igreja de Santa Cruz

O bispo da Diocese de Coimbra presidiu à missa solene na Igreja do Mosteiro de Santa Cruz que antecedeu a saída da imagem da Rainha Santa Isabel rumo ao Convento de Santa Clara-a-Nova.

Na sua mensagem, D. Virgílio Antunes evocou que a solenidade de Santa Isabel de Portugal traz de novo à reflexão cristã o cerne do Evangelho de Jesus Cristo, que é a caridade, bem como a importância da paz.

De seguida e após cerca de uma hora de homilia, que lotou a Igreja do Mosteiro de Santa Cruz, o bispo da Diocese de Coimbra integrou a procissão, seguindo no seu final, fechando, desta forma, aquele que é dos momentos mais marcantes em honra da Santa Rainha. O “cortejo” contou ainda com várias confrarias, bandas filarmónicas e figuras destacadas do poder político local, da Universidade de Coimbra, incluindo docentes e estudantes trajados academicamente, numa demonstração da forte ligação entre a cidade, a sua história e a fé.

Julho 14, 2025 . 13:15

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