
Alípio Soares celebra 100 anos de uma vida de histórias e felicidade
Alípio Soares de Brito, nascido no dia 9 de julho de 1925, completou os seus 100 anos de vida na passada quarta-feira, rodeado de felicidade com a sua família e amigos.
A tarde de hoje foi o dia escolhido para a festa de aniversário em homenagem ao seu centenário, onde inúmeras pessoas, da aldeia e arredores, se juntaram para comemorar o marco extraordinário na Associação de Festas de Casével, freguesia de Ega (Condeixa).
«Estou muito feliz com o dia de hoje, é sinal de que estou vivo e que me dou bem com toda a gente», assinalou o aniversariante.
Em entrevista ao nosso jornal, revelou sentir-se bem, confessando não tomar qualquer tipo de medicação.
Ativo e com hábitos comuns, Alípio sai diariamente do seu conforto para tomar café na rua, cerca de quatro por dia , revelando que esta é uma das formas de conviver e colocar a conversa em dia com as pessoas, que tanto estima.
Alípio Soares tem dois filhos e vive atualmente com a filha, Laurina Simões, com o neto, Flávio Simões e com os seus quatro cães numa habitação que foi o próprio que construiu.
«Ele é o senhor dos cães», afirmou o seu neto.
Com apenas 5 anos, Alípio Soares começou por trabalhar com uma junta de vacas
Ao longo da sua vida, recordou os tempos em que foi trabalhador da construção civil, onde ajudou a construir a Ponte da Arrábida, no Porto, o novo canal do Mondego, entre outras obras. Trabalhou igualmente na direção das estradas de Coimbra durante 30 anos.
Foi sozinho para França de comboio, com um custo de 12 contos, onde acabou por ficar cerca de 35 anos, onde partilha que os primeiros anos não foram particularmente fáceis.
Falando do avô como uma «fonte de inspiração», Flávio Simões descreveu Alípio Soares como uma pessoa «fantástica» e com um espírito ainda muito «ativo e jovial».
«Ele é um ótimo contador de histórias e para uma criança com uma imaginação muito ativa essas histórias acabam por ser uma referência», acrescentou.
Alípio Soares esteve preso em Espanha devido ao “salto” que deu para a França, que era proibido na ditadura do Estado Novo, atitude que segundo o neto demonstra ser um ato de profunda coragem.

Segundo Alípio Soares, a sua vida foi sempre boa, na medida em que teve sempre saúde e trabalho, demonstrando orgulho e satisfação com o seu percurso.
As lágrimas caíram do rosto quando o mesmo recordou o seu casamento aos 27 anos com a sua esposa Maria de Jesus Pinheiro Marques, que faleceu recentemente com Alzheimer. «Foi o meu pilar, era uma santa», contou.
Para a filha e cuidadora, Laurina Simões, os 100 anos do pai simbolizam um feito «maravilhoso».
Descrevendo o pai como «o melhor pai do mundo» e como sendo «muito conhecido na aldeia pelas pessoas» e até mesmo pelos jovens, Laurina não deixou de ressalvar a sorte de poder festejar o aniversário: «Há muitos que não têm o privilégio de ter o pai chegar aos 100 anos».

«A gente tendo festa tem alegria», indicou Alípio Soares
Alípio Soares com o seu irmão António Brito de 96 anos










