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Julho 12, 2025 . 12:00
"Se os tribunais superiores confirmarem esta decisão será mais uma morte sem culpado, um pouco à semelhança do que aconteceu há uns anos no chamado caso “Ana Saltão” em que nunca se apurou quem matou, com 15 tiros, Filomena Santos, de 80 anos, em Montes Claros, Coimbra." | Texto de Opinião de João Luís Campos

1. Justiça. Tendo em conta todo o mediatismo que envolveu o desaparecimento da chamada “grávida da Murtosa” a notícia da absolvição de Fernando Valente causou um natural sentimento de injustiça especialmente junto da família e amigos de Mónica Silva. O trabalho dos investigadores (Ministério Público e Polícia Judiciária) foi considerado insuficiente para se encontrar o autor do seu mais que presumível homicídio. Se os tribunais superiores confirmarem esta decisão será mais uma morte sem culpado, um pouco à semelhança do que aconteceu há uns anos no chamado caso “Ana Saltão” em que nunca se apurou quem matou, com 15 tiros, Filomena Santos, de 80 anos, em Montes Claros, Coimbra.

2. Saúde. Luís Montenegro deveria, a curto prazo, vir a público dar uma explicação ao país sobre as sucessivas falhas no que diz respeito aos meios aéreos disponíveis para o socorro. A ministra da Saúde assumiu esta semana que o Governo precisava de ter feito melhor no lançamento do concurso para o serviço de helicópteros de emergência médica do INEM. É mais um caso evidente de desvalorização das populações longe de Lisboa & Porto, num país que continua num rumo de centralismo que só o definha. Um caso que se torna ainda mais grave ao perceber-se que as aeronaves da Força Aérea Portuguesa não conseguem aterrar em muitos dos heliportos hospitalares.

3. Opções. O caso que se passou, esta semana, com o helitransporte de um doente da Covilhã para Coimbra colocou a “nu” algumas falhas no sistema de saúde mas não só. Há opções que se tomam no território que se tornam de difícil explicação. Afinal, o doente teve de ir da Covilhã até Castelo Branco para entrar no helicóptero porque a pista de aviação da Covilhã foi desativada há anos (em 2011) para ali se construir um Data Center da PT. Na altura prometeu-se a construção de outra pista mas tal não aconteceu e chega a ser confrangedor (para não escrever ridículo) ir através do Google Maps e ver o referido Data Center plantado no meio do que era a antiga pista sem que nada se tenha feito para se dar uma alternativa às populações.

4. Sinistralidade. Foi mais uma semana “negra” no que diz respeito à sinistralidade rodoviária na região e não o sublinhar nestas crónicas semanais (ou não o noticiar com destaque) seria compactuar com a inação dos Governos (deste e dos anteriores) para as sucessivas tragédias nas estradas nacionais. Foram pelo menos quatro as mortes em acidentes que envolveram automóveis ligeiros, camiões ou motos. Como há poucas semanas noticiámos, Portugal é dos países europeus que menos tem feito para impedir o aumento destes números e não parece, até ver, que esta seja uma prioridade do atual executivo. Mas devia ser.

5. Procissão. Foi uma grandiosa manifestação de fé aquela a que assistimos na noite desta quinta-feira em Coimbra. Muitos milhares de fiéis (e alguns turistas de passagem) prestaram homenagem à Rainha Santa Isabel naquela que foi uma das maiores procissões dos últimos anos. Um momento aproveitado para o apelo à paz feito pelo padre Manuel Carvalheiro Dias.  Não apenas no que diz respeito aos grandes conflitos mas também nas nossas casas, nos nossos locais de trabalho.

6. Violação. Na mesma semana em que noticiámos dois casos de violação na cidade de Coimbra (um que está para julgamento e outro que terá acontecido no fim de semana) o Parlamento deu um primeiro passo para tornar a violação num crime público. Uma atualização necessária e que deve ser vista com cautela. Porque se é muito importante garantir que todos os violadores são devidamente castigados é igualmente crucial que as vítimas são protegidas. Espera-se assim que os trabalhos na especialidade sejam céleres.

7. Futebol. Finalmente, numa altura em que a época futebolística nacional está ainda em fase de arranque (e com as polémicas do costume entre mercado e eleições), terminou ontem, de forma negativa, a prestação da seleção nacional feminina no Campeonato da Europa. As “navegadoras” fecharam esta presença com apenas um ponto em três jogos, bem longe das metas que tinham sido assumidas pelo grupo de trabalho.

Julho 12, 2025 . 12:00

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