
Santa Isabel abençoa fiéis na Igreja de Santa Cruz
São sete séculos desde a sua peregrinação a Santiago de Compostela e quatro desde a sua canonização. A rainha Isabel de Aragão, padroeira da cidade de Coimbra e uma das entidades santificadas mais reconhecidas por todo o mundo tem, em 2025, duas datas convergentes que motivam celebrações únicas. A procissão que decorreu na passada quinta-feira foi o início de um momento solene que termina amanhã, com o regresso da Santa Rainha ao Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. Até lá, é possível apreciar o seu andor na Igreja de Santa Cruz.
Na Praça 8 de Maio já se notam algumas diferenças em relação à “normal” agitação de julho. As pessoas, locais, visitantes de outras partes do país e turistas estrangeiros, entram dentro da Igreja de Santa Cruz com um olhar e uma emoção diferentes. Poucos param para apreciar o exterior do edifício, mas muitos demoram tempo extra no seu interior.
O andor, em exposição junto do altar, capta a atenção de quem acompanha a rainha e de quem não conhece a sua importância. Para os mais “desatentos”, porém, a Confraria da Rainha Santa rapidamente explica o seu significado ou, para quem aparece em massa turística, os guias fazem esse “pequeno” trabalho.
As explicações são sempre silenciosas para não incomodar quem se encontra em reza. O silêncio mantém-se respeitoso, dos mais velhos aos mais novos, até os mais curiosos respeitam o momento de prece de quem vive a fé da Santa Isabel.
“O pensamento religioso está a ser debatido novamente e isso é positivo para todas as gerações”
Sayuri Goda faz parte da Confraria da Rainha Santa Isabel e revela o porquê de tanta dedicação em volta de Isabel. «Cada pessoa tem a sua ligação. É difícil explicar. No meu caso é um ‘feeling’, um sentimento por assim dizer», começa por explicar, elaborando, «de certo modo a Rainha era uma estrangeira e eu também fui. Mesmo sendo estrangeira nunca deixou de lutar e de se preocupar com os outros, de amar o povo».
Este foi um ano de, possivelmente, recorde de assistência na procissão (que excecionalmente ocorreu num ano ímpar) e apresenta-se num momento delicado na fé. «Existem muitos conflitos religiosos em curso neste momento, tristemente. Este ano também trouxe alguns debates sobre a religião, com a morte do Papa Francisco e a eleição do Papa Leão XIV, por exemplo, e estas conversas são muito importantes», conta a confreira.
Apesar da fé estar em “questão” há alguns anos, Sayuri acredita que de 2023 (com as Jornadas Mundiais da Juventude) para agora a tendência mudou, com muitos jovens e adultos a «reacender» o seu pensamento religioso.











