
“Comemorar os 46 anos é relembrar todo o esforço e trabalho de todo o IPC”
A Sala D. Afonso Henriques do Convento São Francisco encheu-se de caras ilustres, de todo o país, para comemorar o aniversário do Politécnico de Coimbra (IPC). São 46 anos de inovação e dedicação ao ensino, à conexão empresarial e à comunidade académica.
A efeméride iniciou-se com um momento musical por Luís Travassos e Laura Carvalho. Algumas músicas com mensagens ligadas à história e à tradição do IPC, lançavam o mote para se pensar no futuro, abraçar o presente e lembrar o passado - pelos sucessos e pelas oportunidades perdidas.
Jorge Conde fez o seu último discurso como presidente do IPC. Durante largos minutos, mas sempre com a atenção do público presa a si. «Venho falar do balanço destes anos e não do futuro da instituição», começou por indicar, continuando: «tomei posse em 2017 e o IPC enfrentava grandes desafios, e ainda mais oportunidades». As «oportunidades» que foram encontradas aproveitaram-se, os erros foram corrigidos da melhor forma e, apesar de haver sempre espaço para melhorar, a instituição encontra-se agora «mais forte e coesa» com um «legado que pertence a todos nós, estudantes, docentes, não docentes, todos».
Há seis anos o IPC mudou o seu logótipo, para um «“U” invertido, um arco, que simboliza uma porta aberta». Esta mudança representou a correção de uma «visão fragmentada» que existia anteriormente.
Jorge Conde foi ovacionado, de pé, pelos presentes na cerimónia após finalizar a sua intervenção na cerimónia de aniversário do IPC
Com trabalho edificado em várias áreas e, sobretudo, com uma ligação ao tecido empresarial local, regional e internacional, o Politécnico de Coimbra garante um apoio em todas as vertentes dos estudantes do Ensino Superior, desde a receção ao novos alunos até à sua entrada no mercado de trabalho. «Temos um projeto internacional reconhecido, a UniGreen, entre outros que conseguimos com grande esforço e dedicação, mas é preciso destacar o que fazemos para garantir a ligação ao território local e o seu desenvolvimento», menciona Jorge Conde.
Ana Bastos, vereadora da Câmara Municipal de Coimbra, indicou a importância do instituto para o desenvolvimento da região, tanto a nível formativo, como económico, e reforçou a capacidade dos seus alunos. «A cooperação entre Câmara e IPC é de extrema importância. Temos vários jovens competentes que passam pelos estágios e que acabam por ficar no território, num compromisso mútuo entre todos». A vereadora sublinhou, ainda, que muitos destes jovens acabam por envergar por «cargos na comunidade e até chegam à autarquia».
Em representação do Conselho Geral do IPC, Filipe Preces, presidente, reforçou a «excelência» da instituição, tanto a nível nacional como internacional, relembrando algumas ideias identitárias do IPC. «Desde a sua fundação que o nosso instituto têm em atenção o tecido social local, em todos os seus aspetos». Esta atenção à sociedade faz com que os seus planos de estudo acompanhem as necessidades e se adaptem ao que os estudantes necessitam em cada etapa da sua aprendizagem.
Estudantes atentos
Talvez a surpresa discursiva da manhã caia sobre a mais jovem das oradoras, Mafalda Pinto, que representou as associações de estudantes do Politécnico, e que explicitou de forma clara aquilo que a academia é: um conjunto de jovens atentos ao que os rodeia e às necessidades do mundo. «Esta é uma comunidade forte, unida e resistente. Somos pautados por valores de rigor e de excelência humana e académica», começou por mencionar a estudante, que continuou com um pensamento assertivo sobre o futuro. «É preciso manter a participação crítica dos estudantes no seguimento estratégico do IPC»,disse. Deixou, ainda, uma última mensagem. «Não devemos esquecer que as instituições de ensino existem por causa dos estudantes, por isso queremos continuar a exercer uma influência positiva através de criticas construtivas e trabalho conjunto».
Foto: Jorge Conde foi ovacionado, de pé, pelos presentes na cerimónia após finalizar a sua intervenção na cerimónia de aniversário do IPC
Mobilidade é “chave” da economia portuguesa
«Portugal está no topo da estabilidade financeira, e isto não são especulações, são dados», uma frase impactante e divergente da opinião pública. Foi este um dos momentos que mais espanto causou no público que se reuniu, ontem, no Convento São Francisco para ouvir Mário Centeno, governador do Banco de Portugal.
Com uso de estatísticas e de explicações claras, o banqueiro comparou a situação financeira portuguesa de 2024 (ano com os dados mais recentes) e 2000, para explicitar as diferenças e a evolução, positiva, da nação.
«No que toca ao défice orçamental, Portugal passou de -5,8% do PIB, entre 2000 a 2015, para -1,4% do PIB em 2016-2024.». Segundo o especialista, esta diminuição é positiva, deixando o país numa situação em que, apesar de menor classificação geral a nível económico, pode cobrar juros menores, colocando este valor menor ao praticado por países como Estados Unidos da América.
Ainda em explicações, refere que o crescimento económico vem da aceitação de estrangeiros que se deslocaram até ao país para trabalhar e que, dessa forma, contribuem fortemente para capacitar a economia portuguesa. «Sem a mobilidade de pessoas de fora de Portugal teríamos perdido dois terços da nossa evolução [crescimento] económica», indica o perito.
Mário Centeno reforçou, ainda, a força das Pequenas e Médias Empresas (PME), que são o maior contributo para o «crescimento económico e estabilização do mercado financeiro português», exibindo um crescimento de 27,0 em 2008 para 46,0 em 2024, que representa um aumento de perto de 100% e ajuda na autonomia financeira de Portugal.











