A ALIENAÇÃO PARENTAL E O TELEMÓVEL
A alienação parental é a tentativa de Golias silenciar David. Quem não pode escolher aprende que o silêncio pode ser a arma possível para lutar contra o vício de alguns argumentos. A alegria da criança dá lugar a um rosto fechado, sisudo, onde a luz não entra. As palavras não saem, os olhos não sorriem, o medo instala-se no peito. Mas, por vezes, o silêncio grita. Grita nas entrelinhas dos desenhos feitos à pressa, nas respostas curtas, nos olhares que se evitam. Grita quando a professora pergunta se “está tudo bem?” Grita à noite, quando o sono custa a chegar e o travesseiro se torna confidente de angústias que parecem não ter nome. O tempo passa e todos vamos pedalando entre dúvidas e saudades. Sente-se falta do que não se entende, do cheiro, do colo, do riso fácil quando se é criança. Mas o medo de errar e de ser a causa de mais uma discussão, vai moldando gestos e palavras. As emoções parecem sair do arco-íris para se esconderem no armário. É como se cada passo fosse medido, cada frase ensaiada, para não despertar o gigante adormecido do outro lado da porta.
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:








