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Do rio à terra: barca serrana simboliza a tradição

Junto à Estação Elevatória de Coimbra está agora um exemplar construído pelas mãos de quem sabe para que a cultura e a tradição não se esqueçam

Apesar de já não ser utilizada para os fins de outrora, a barca serrana continua a ser um símbolo do Rio Mondego e uma forma de enaltecer os homens que rio acima e rio abaixo transportavam mercadorias entre Coimbra e Penacova ou até à Figueira das Foz. No Parque Manuel Braga, junto à Estação Elevatória de Coimbra, está, desde de ontem, um exemplar da barca serrana.

«É uma ligação cultural e comercial com o rio que gostaríamos de manter e, por isso, temos esta barca serrana exposta para que todos possam usufruir», afirmou Alfeu Sá Marques, presidente do Conselho de Admnistração da Águas de Coimbra, na inauguração que marcou a manhã do Dia do Município de Coimbra.

Já em 2006 tinha sido adquirida uma barca serrana, mas os sucessivos atos de vandalismo danificaram a embarcação fluvial e, este ano, a Águas de Coimbra decidiu adquirir nova embarcação.

"O meu pai era barqueiro e, por isso, fazia estas viagens entre Penacova e Coimbra com todo o tipo de mercadoria"

«A barca que tinhamos aqui anteriormente foi alvo de vários atos de vandalismo que destruíram a embarcação», contou Alfeu Sá Marques, apelando à população para que «saiba preservar a barca e a nossa história».

Apelo repetido por José Manuel Silva, presidente da Câmara Municipal, que marcou presença no momento da inauguração. «É uma satisfação podermos ter aqui uma nova barca numa demonstração clara daquilo que são as nossas tradições, a nossa cultura ligada ao rio», salientou.

Nova Barca Serrana Do Mondego Fig 1

Barcas serranas estão no “sangue da família Rodrigues

Pai e filho, Paulo e Valdemar Augusto, respetivamente, foram os responsáveis pela construção de mais uma barca serrana. É na pequena localidade de Ferradosa, no concelho de Penacova, que pai e filho se dedicam a uma arte já um pouco caída em desuso.

«É sempre uma alegria poder continuar a construir barcas serranas e a não deixar esquecer as nossas tradições», realçou Valdemar Augusto.

Com 73 anos continua a fazer barcas serranas e conta que o pai já era barqueiro e que cedo teve de aprender a arte da carpintaria e, mais tarde, começou a aprender a construir pequenas embarcações.

«O meu pai era barqueiro e, por isso, fazia estas viagens entre Penacova e Coimbra com todo o tipo de mercadoria», contou.
A arte de carpintaria e marcenaria transmitiu-a ao filho Paulo que tem construído várias barcas serranas nos últimos anos. Aliás, a barca serrana que agora circula pelas águas do Mondego em pequenos passeios de lazer e turístico saiu do estaleiro de Paulo Rodrigues.

«Em 2006 comecei a fazer passeios de barca aqui no rio durante alguns anos. Foi quando colocaram a barca serrana aqui em exposição», afirmou o carpinteiro.

A barca serrana é conhecida por ter sido durante largos anos o único meio de transporte que ligava a serra à cidade e é na serra onde tudo começa com a escolha da madeira. «Primeiro de tudo temos de ir caminhar para a floresta para procurar o pinheiro ideal para construir o barco, cortar a madeira e secá-la, arranjar o pez e depois começamos a formar a barca», explicou.

Duas a três semanas foi o tempo levado por três homens para construir a barca serrana que agora estará em exposição junto à Estação Elevatória de Coimbra, no Parque Manuel Braga.

 

Nova Barca Serrana Do Mondego Fig 15

Julho 4, 2025 . 19:34

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