
PJ de Coimbra deteve "burlão dos telhados"
A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem de 52 anos, suspeito da prática reiterada de crimes de burla na área da construção civil. Um caso que ganhou foros de grande mediatismo, dado o número de vítimas do chamado “burlão dos telhados".
Uma designação que se prende precisamente com as obras que o burlão se propunha fazer, mas que nunca concretizou. Todavia, apoderou-se do dinheiro que lhe era entregue com o propósito de avançar com a empreitada. Verbas que «ascendem a milhares de euros», refere a PJ.
Uma atuação fraudulenta que terá começado em 2024 e que a Diretoria do Centro da PJ começou a investigar em novembro desse ano. De acordo com o diretor, Avelino Lima, a situação verificou-se em Condeixa, com um casal a “consignar” a empreitada de recuperação do telhado por 12 mil euros e a avançar, a pedido do suposto empresário, com a entrega de 9 mil euros. No entanto, apesar do pagamento feito, a obra não avançou um centímetro que fosse.
Pior do que isso, o suposto empresário da construção civil, literalmente “desapareceu de cena”.
Este era, de resto, o “modus operandi” utilizado pelo suspeito, que deixou “rasto” em toda a região Centro, particularmente nas vilas e aldeias localizadas num raio de 50 quilómetros de Coimbra. Significa que o homem abordava as vítimas, nas respetivas residências, apresentando-se como «empresário de construção civil» e oferecia os seus préstimos.
Na grande maioria dos casos as obras seriam mesmo necessárias e os moradores e proprietários, satisfeitos com a oferta de serviços, cada vez mais difíceis de encontrar, diga-se, imediatamente se disponibilizavam a “acertar as agulhas” com o empresário. Depressa, porém, este pedia um “adiantamento”.
Serão mais de 100 as vítimas que caíram no esquema do "empresário"
. O certo é que, de uma ou outra forma, foi-se apoderando de quantias muito significativas de dinheiro, que, confiantes, os proprietários lhe entregaram. A partir do momento em que tinha o dinheiro em seu poder deixava de aparecer e de estar contactável através do telemóvel.
«Serão mais de 100 vítimas», refere o diretor da PJ de Coimbra, muito embora a investigação ainda esteja a decorrer, tendo sido alargada a outras zonas do país onde foram cometidos crimes da mesma natureza, que se presume tenham a “mão” do “burlão dos telhado”.
Detido é “catedrático” na prática de crimes de burla
O detido, sem residência fixa, tem vindo a “deambular” pela região, não se mantendo muito tempo no mesmo local.
A última morada conhecida é na zona de Mortágua. Pode ser considerado um “catedrático” da burla, pois não tem qualquer profissão ou ocupação profissional e sempre esteve ligado a esquemas ilegais, designadamente à prática de burlas.
Desde 1998, de acordo com a PJ, foi pelo menos três vezes condenado por este tipo de crime e cumpriu pena efetiva de prisão. Está agora indiciado, mais uma vez, pela prática reiterada de crimes de burla qualificada. O burlão foi ontem à tarde presente a primeiro interrogatório judicial, mas as medidas de coação só hoje serão conhecidas.









